27 de Maio de 2012
Com a retaliação aos produtos americanos, a tarifa de importação deve subir até 30%

O governo brasileiro publicou na segunda-feira (8) uma lista de produtos norte-americanos que terão alíquotas de importação elevadas como retaliação à não adequação dos EUA a decisões da OMC (Organização Mundial do Comércio) envolvendo subsídios ao algodão.
O Brasil deverá elevar em 30 dias a tarifa para o trigo - exceto duro ou para semeadura - dos EUA, caso um acordo não seja alcançado até lá.
Isso dá ao Canadá, sexto maior produtor mundial, uma oportunidade de exportação, disse Bruce Burnett, diretor de análise de mercados da CWB.
- Certamente em um ano como este, em que o mercado de trigo está bastante competitivo, seria bom ter uma vantagem para entrar nesse mercado.
O Brasil, um dos maiores importadores de trigo do mundo, afirma que ainda há tempo para negociar uma solução.
Existe a expectativa de grandes safras de soja e milho na América do Sul, mas segundo Burnett a produção de trigo da Argentina, tradicional exportador ao Brasil, será pequena. Assim, o Brasil, que costuma importar mais da metade de seu consumo anual de 10 milhões de toneladas, poderá ter que recorrer ao produto no hemisfério norte este ano.
Em 2008/09, o Brasil importou apenas 143 mil toneladas do Canadá. Na temporada anterior, foram 477 mil toneladas compradas junto ao Canadá, tornando o Brasil o 11º mercado de exportação de trigo da CWB em 2007/08 e o maior sul-americano.
O Canadá é o maior exportador de trigo de primavera, usado na panificação, e de durum, para fazer massa. O Brasil importa principalmente trigo de primavera do Canadá.
O aumento dos preços dos produtos derivados é uma das preocupações com a elevação da tarifa de importação, conforme afirmou a Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo).
Entretanto, nesta terça-feira (9) o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, tentou aliviar esse temor.
- Nós importamos dos Estados Unidos, no ano passado, apenas 5% das nossas necessidades de trigo. Além disso, temos outras opções de importação, como Canadá, Rússia e, até mesmo, União Europeia.
Segundo ele, é pequena a participação do trigo na formação do preço do pãozinho, em torno de 15%.
- As demais influências são da água, eletricidade, aluguel e mão-de-obra.
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