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publicado em 19/06/2013 às 09h43: atualizado em: 19/06/2013 às 10h30

Dólar alto pode levar companhias aéreas a cortar mais voos no País

Moeda abriu a terça-feira (18) cotado a R$ 2,18, maior valor em quatro anos

Estadão Conteúdo

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A recente disparada do dólar pode levar as companhias aéreas brasileiras a fazer novas reduções na oferta de voos, disse, na terça-feira (18), o diretor de segurança e operação de voos da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), Ronaldo Jenkins.

A valorização do dólar afeta negativamente o resultado das empresas, que têm cerca de 60% do seu custo atrelado à moeda norte-americana, como querosene de aviação, leasing e manutenção de aeronaves.

A divisa dos Estados Unidos subiu aproximadamente 7% apenas no último mês, saltando de R$ 2,03 para R$ 2,17, na cotação da última terça-feira (18). A mudança cambial ocorre em um momento em que as companhias aéreas começam a se recuperar de prejuízos registrados no ano passado.

O presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, explica:

— Quando as empresas começaram a respirar, veio essa alta do dólar. Se o câmbio permanecer neste patamar, o cenário que se cria é de grave deterioração (do resultado das empresas).

Depois de cortar em 7,39% a oferta de passagens aéreas nacionais em 2012, o mercado volta a crescer aos poucos.

A oferta nacional subiu 1,7% em maio sobre igual período de 2012, segundo dados apresentados pela Abear. O corte da oferta é uma estratégia das empresas de retomar a rentabilidade em um cenário de demanda fraca.

Com a economia desaquecida, as empresas têm dificuldade de repassar o aumento de custos ao consumidor e optam por reduzir os voos deficitários.

Estimativas da Abear apontam que a cada 10% de repasse de preço a demanda por voos cai 14%.

Jenkins complementa:

— Se o câmbio se mantiver, o quadro que se apresenta é de redução da oferta. É uma solução tomada por empresas do mundo inteiro nessas circunstâncias.

Os representantes da Abear evitaram projetar o impacto da mudança cambial no preço das passagens. Procuradas, Azul e Gol não comentaram. O vice-presidente de finanças e controladoria da TAM, Daniel Levy, disse que a alta do dólar é "mais um desafio para uma indústria que trabalha com margens muito estreitas".

A TAM já prevê para este ano uma redução entre 5% e 7% na sua oferta no mercado nacional. A empresa, no entanto, disse que ainda não avaliou o impacto da mudança cambial nos preços.

Levy afirma:

— Ainda estamos avaliando no longo prazo os efeitos desta recente variação cambial.

Ele ressalta que a demanda por passagens aéreas é "elástica", ou seja, sensível a preços, o que impõe uma necessidade de elevar a lucratividade com voos mais cheios. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

 

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