A economia da América Latina deverá fechar 2010 com um crescimento de 4,8%, com o Brasil e Venezuela nos dois extremos da tabela, segundo previsão da empresa de consultoria FocusEconomics ao qual Agência EFE teve acesso nesta sexta-feira (11).
Em 2009, a economia latino-americana encolheu 1,7%. Segundo a estimativa, o PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de riquezas do país) da região crescerá 5,3% no segundo trimestre deste ano, mas na segunda metade o ritmo será moderado, de cerca de 4,4%.
Os economistas da consultoria, que em maio tinham previsto um crescimento de 4,6% no PIB regional, elevaram o percentual para 4,8% em junho, pelo 13º mês consecutivo em que o corrigem em alta. A previsão para o ano que vem é de um crescimento econômico regional de 4%.
Inflação
Quanto à inflação, a empresa mantém a previsão de 7% para este ano e 6,6% para o próximo. Por países, em seis dos 11 estudados - Argentina, Brasil, México, Paraguai, Peru e Uruguai - as perspectivas de crescimento melhoraram em junho. Em dois (Chile e Venezuela), a expectativa recuou, e em três (Bolívia, Colômbia e Equador) se manteve estável.
A economia do Brasil, seguida de perto pelo Peru, é a que mais crescerá em 2010, e a da Venezuela é a única que recuará entre os 11 países estudados, diz o estudo.
A Venezuela, segundo Consensus Forecast, terá uma contração de 2,6% na economia em 2010 e crescerá 1,1% em 2011. Quanto à inflação, a situação também não está bem para a Venezuela: os analistas preveem que termine o ano em 33,9%.
Segundo o estudo, "as medidas adicionais anunciadas pelo Governo de Hugo Chávez para tomar o controle do mercado paralelo de divisas complicaram mais ainda o panorama".
Em comparação com o mês passado, as previsões de inflação subiram em cinco países (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela), desceram em dois (Colômbia e México) e se mantiveram como estavam em quatro - Bolívia, Chile, Equador e Peru.
No Brasil, que segundo a análise crescerá 6,5% este ano, o maior percentual dos 11 países, o que preocupa é a inflação. As previsões aumentaram nos últimos quatro meses, e agora se estima que fechará o ano em 5,4%.
Já a economia peruana deverá crescer 5,7% no ano. A previsão de inflação para 2010 é de 2,4%.
No terceiro posto está a Argentina, com um crescimento esperado para este ano de 5%. Quanto à inflação, a previsão é de 11%, baseado nos dados oficiais, mas Consensus Forecast afirma que a estatística extraoficial "mais realista" aponta a 24,4%, só superado pela Venezuela.
México
A previsão é de crescimento de 4,1% em 2010, após uma expansão de 4,3% no primeiro trimestre, a primeira desde o terceiro trimestre de 2008, "quando a economia mexicana entrou em sua pior recessão em décadas". A previsão de inflação para o México foi revisada para baixo este mês e hoje se situa em 5,1%.
Chile
No Chile, os analistas esperam crescimento de 4,4% para 2010 - inferior ao previsto em maio – e de 5,6% para 2011. A inflação acelerou a partir de abril e se espera um fechamento em 3,5%. O levantamento afirma que o terremoto que atingiu o país terá reflexos na economia.
- Apesar dos devastadores efeitos do terremoto de fevereiro, a economia chilena manteve sua expansão no primeiro trimestre, embora em um ritmo frágil (1%). No entanto, é provável que volte a taxas de crescimento mais saudáveis na medida em que os esforços de reconstrução se transformem em um fator de impulso adicional.
Colômbia
Para a Colômbia, a perspectiva é de estabilidade. Ajudada pela alta da produção industrial, a economia crescerá 2,8% este ano e 3,9% em 2011. A inflação de 2010 espera-se que seja do 3,5%.
Bolívia
Os analistas de Consensus Forecast elevaram sua previsão de crescimento para a Bolívia para 3,8% para este ano, com uma inflação de 4% (4,3% para 2011) e projetam crescimento de 3,7% no ano que vem.
Equador
Um aumento de 1,7% e uma inflação de 4,3% é o esperado para o Equador em 2010. Para o ano seguinte, os percentuais são de 2,3% e 4,2%, respectivamente.
Paraguai
Do Paraguai se destaca o aumento de 13,7% registrado na atividade econômica durante o primeiro trimestre. Quanto à inflação, Consensus Forecast espera que chegue a 4,9% este ano, contra 1,9% de 2009.
Uruguai
Finalmente, o Uruguai deverá ter 4,6% de crescimento em 2010, inferior à projeção do governo. Para 2011, a meta é de 4%. A pressão da inflação persiste e deverá ficar em 6,5% neste ano.
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