O empresário Eike Batista, conhecido por seus investimentos nas áreas de mineração e energia, tem interesse em entrar no setor de banda larga por meio de uma eventual parceria com o governo. Segundo o executivo, que participou nesta segunda-feira (31) do Fórum Exame, em São Paulo, seriam necessários investimentos de R$ 18,15 bilhões (US$ 10 bilhões) para levar a banda larga de 10 mega por R$ 40 a R$ 50 para todos os brasileiros. Batista afirmou que o setor de banda larga é interessante porque os custos unitários caíram muito nos últimos anos.
- Não seria tão custoso oferecer internet a R$ 40 para todos. O Brasil merece e necessita.
De acordo com ele, ainda não existem estudos concretos e nenhuma proposta foi apresentada ao governo. Ele disse que o governo teria de contribuir para que o projeto seja eficiente e isso poderia ser feito por meio de uma Parceria Público-Privada. Na visão do empresário, o setor de telecomunicações está relacionado aos negócios da EBX por tratar-se de infraestrutura.
- Acredito que existe um grande potencial para o uso da internet para educação à distância no Brasil.
Questionado sobre os planos da EBX de abrir capital (vender parte de sua participação na bolsa de valores), como fez com suas subsidiárias, Batista afirmou que não há necessidade porque a companhia está "mega capitalizada". Na visão do executivo, a crise na Europa não deve comprometer o crescimento do país porque apenas 10% do seu PIB (Produto Interno Bruto) é oriundo de exportações.
- O mercado interno vai muito bem, obrigado.
No caso das exportações, ele acredita que a demanda deve se sustentar porque o Brasil exporta itens que o resto do mundo não tem.
O setor de minério de ferro, em que o grupo atua por meio da MMX, tem um cenário positivo devido à forte demanda chinesa, segundo ele.
- Os chineses têm falta de matéria-prima.
No momento, a subsidiária OSX está construindo um estaleiro em Santa Catarina para atender à demanda da OGX, produtora de petróleo, com investimento de R$ 3,085 bilhões (US$ 1,7 bilhão) e conclusão prevista para 2012.
Batista defendeu que o governo escolha dois a três estaleiros para concentrar a demanda do país, permitindo a obtenção de escala.
- Assim seria possível concorrer com qualquer estaleiro da Coreia.
Segundo ele, o plano atual de pulverizar a produção em vários estaleiros reduz a eficiência.
- Hoje estes estaleiros só produzem equipamentos em partes, o que fica 40% mais caro.
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