Contas de luz cobram valor errado desde 2002; quantia paga a mais por consumidores pode chegar a R$ 10 bilhões
As empresas de energia elétrica reconheceram, nesta quinta-feira (29), que cobraram em suas contas de luz valores superiores aos que deveriam ter sido pagos pelos consumidores. Segundo dirigentes das companhias, a falha aconteceu por causa de uma brecha na legislação.
O erro vem se repetindo desde 2002 e o valor pago a mais por consumidores ao longo destes anos pode chegar a R$ 10 bilhões.
Durante a CPI das Tarifas de Energia Elétrica, o diretor-presidente das Cemig (Centrais Elétricas de Minas Gerais), Djalma Bastos de Morais, assumiu o erro. No entanto, ele e outros colegas defenderam que os consumidores não foram lesados pelas tarifas mais altas porque os valores cobrados a mais geraram desenvolvimento, ao serem investidos na melhoria das empresas.
Solução mediada
O diretor-presidente do Grupo Neoenergia, Marcelo Maia Corrêa, disse que as empresas do setor de energia estão dispostas a buscar uma solução para que o consumidor não saia prejudicado com a cobrança indevida, mas considerou que essa discussão deve ser conduzida pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
- Me parece que esse erro poderia ser facilmente identificado e reparado há muitos anos, então em nome da seccional paulista da OAB eu faço um apelo para que as concessionárias devolvam a todos nós consumidores aquilo que nos fora tirado indevidamente.
Aneel sob suspeição
Na opinião dos parlamentares da CPI e dos integrantes do Ministério Público e da OAB que compareceram à audiência, a Aneel também está sob suspeição. O promotor de Defesa do Consumidor de Pernambuco, Maviel Silva, chegou a afirmar que a agência, cujos funcionários só comparecem quando obrigados pelas CPIs, está sempre na defesa das empresas e contra os interesses dos cidadãos.
O presidente da CPI, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), concordou com o promotor. Ele lembrou que a comissão quebrou nesta semana o sigilo bancário da Celpe (Companhia Energética de Pernambuco) para investigar as movimentações financeiras da empresa, que, na opinião do parlamentar, nunca tratou os consumidores do estado com respeito.
A audiência pública marcou o fim da fase de depoimentos da CPI das Tarifas de Energia. A partir de agora, os deputados vão trabalhar no relatório da comissão e nas formas de fazer com que as empresas devolvam o que foi cobrado a mais da população.