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publicado em 27/10/2009 às 19h01:

Entenda a crise financeira mundial

As turbulências começaram com calotes no pagamento das hipotecas de casas nos EUA

Ivone Portes, do R7

A crise financeira mundial começou com os calotes nos pagamentos de hipotecas de casas nos Estados Unidos. Com o juro baixo e o excesso de crédito no mercado norte-americano, houve uma valorização no valor dos imóveis nos EUA, o que estimulou a busca de financiamentos para a compra de casas próprias, principalmente entre a baixa renda. Para financiar esses novos compradores, os bancos captavam recursos no mercado por meio da oferta de instrumentos financeiros atrelados às hipotecas de imóveis.

Só que os juros voltaram a subir nos EUA, para combater o avanço da inflação. A alta dos juros provocou um aumento no valor das mensalidades das casas próprias, enquanto que o preço dos imóveis começou a cair. Com isso, houve um salto na inadimplência e os títulos que eram garantidos pelas hipotecas perderam valor.

O problema se alastrou para todo o mundo e atingiu o ápice em setembro de 2008, desencadeando prejuízos bilionários aos bancos e até quebra de instituições financeiras, como a do americano Lehman Brother. A partir daí houve um movimento de consolidação, com alguns bancos comprando outros que estavam com problemas financeiros - é o caso, por exemplo, do Merrill Lynch, adquirido pelo Bank of America. O governo norte-americano teve que injetar dinheiro no sistema financeiro para evitar novas quebras de bancos ou financeiras. Na Europa, os governos da Alemanha, França, Espanha, Reino Unido e de Portugal, entre outros países, também anunciaram ajudas bilionárias aos bancos.

Tudo isso provocou uma crise de confiança nos mercados, o que teve impacto, principalmente, na quantidade de dinheiro disponível em todo o mundo. Ou seja, devido ao medo de calotes, os bancos não quiseram mais emprestar dinheiro. Por isso, para conseguir empréstimos, empresas e também pessoas físicas passaram a pagar juros muito mais altos. O encarecimento do crédito paralisou os planos de investimentos das empresas e fez também com que a população consumisse menos. 

Menos investimento significa também menor capacidade de expansão das economias, pois as empresas não têm mais como financiar seu crescimento. O resultado direto disso é a redução do emprego, o que, por sua vez, diminui a capacidade de consumo das pessoas. Tudo isso reflete no desempenho da economia nacional.

No Brasil, os reflexos da crise foram menores, porque o país já contava com um sistema financeiro mais rigoroso, em razão de crises vividas anteriormente, como as mudanças de planos econômicos e de moedas.

Entretanto, a economia brasileira não ficou ilesa, porque a recessão nos EUA e em países da Europa de certa forma reduziu a demanda por produtos brasileiros. Uma queda na venda de mercadorias para o exterior causa perdas aos exportadores e diminui suas receitas. Além disso, a tendência é que países como os EUA e Espanha, que chegaram a entrar em recessão, em momentos de crise invistam menos em empresas no Brasil.

Quando falamos em mercado financeiro, embora a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) tenha mostrado recuperação desde o ápice da crise, vale ressaltar que os negócios com ações hoje são praticamente globalizados e os investidores estão atentos aos movimentos no exterior. Por conta disso, a crise gerou muito mais cautela no mercado, inclusive nas decisões das empresas sobre lançamento de ações na bolsa.

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