Margarita Kiau/EFEManifestantes em frente à sede do Parlamento grego em Atenas
27 de Maio de 2012
Dívidas do país superam capacidade de pagar; governo quer cortar gastos e elevar impostos
Em 2009, segundo estimativas, o país acumulou uma dívida de R$ 704 bilhões (300 bilhões de euros). Ou seja, fechou o ano devendo mais do que gerou de riquezas - em 2009, o PIB grego chegou a cerca de R$ 600 bilhões (255,3 bilhões de euros), segundo dados do CIA World Factbook (compilação de dados feita pela Agência Central de Inteligência dos EUA). A dívida pública de um país é composta pelos empréstimos tomados pelo governo que ainda precisam ser pagos.
Como membro da zona do euro, a Grécia vinha sendo cobrada para controlar suas finanças, mas continuou a emitir papéis de dívida e a se envolver mais em ganhos no mercado financeiro, apoiada na credibilidade da zona do euro junto a investidores estrangeiros.
Com a crise que abalou a economia mundial, o país passou a enfrentar problemas para arrecadar impostos, uma vez que empresas começaram a quebrar, o desemprego aumentou e o consumo caiu. Com isso o chamado déficit (quando mais dinheiro sai do que entra) no Orçamento do país cresceu, e a capacidade de pagar seus credores ficou comprometida.
Nesse cenário entram o FMI (Fundo Monetário Internacional) e a UE (União Europeia): o primeiro porque tem a missão de ajudar países com dificuldades de pagar suas dívidas - em geral exigindo em troca medidas como cortes de gastos públicos e aumentos de impostos. Medidas assim são extremamente impopulares, como mostram as séries de greves na Grécia nos últimos meses contra as ações do governo para sanear as contas.Outro problema que a presença do FMI coloca é o efeito sobre a confiança dos investidores no país a ser ajudado: países nessa condição costumam ser vistos com cautela, o que resulta em cobranças de juros maiores em empréstimos, dificultando ainda mais a situação.
O segundo porque o rombo nas contas da Grécia pode comprometer outros países com situação financeira frágil e fortemente abalados pela crise global - como Portugal, Espanha e Irlanda.
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