12 de Fevereiro de 2012
Banco do Japão deve manter juros em 0,1%, o menor entre os países desenvolvidos
Do R7, com EFE e Agência EstadoO governo japonês admitiu oficialmente nesta sexta-feira (20) que sua economia, a segunda maior do mundo, está em deflação. Esse foi o primeiro reconhecimento da situação delicada da economia do país pelas autoridades japonesas desde 2006.
O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) no Japão registrou uma queda de 2,3 % em setembro em relação ao mesmo mês do ano anterior. Apesar de ter sido o sétimo mês consecutivo de queda, o governo ainda não havia admitido publicamente o retorno da deflação à economia japonesa.
Segundo uma pesquisa do jornal Nikkei, os preços de quase 60% dos alimentos básicos e os bens que os cidadãos compram diariamente nos supermercados do Japão foram mais baixos em outubro que nos últimos três meses.
De acordo com o governo, as persistentes quedas de preço podem prejudicar a economia porque derrubam o lucro das empresas e aumentam o peso de suas dívidas. Isso leva os administradores das companhias a reduzir a força de trabalho e a adiar os investimentos.
O vice-primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, admitiu que o Japão está "em uma situação deflacionária" e que é muito importante o papel que desempenham as autoridades monetárias, em referência ao Banco do Japão (BOJ), informou a agência local "Kyodo".
O principal assunto da reunião mensal do Banco do Japão, que termina nesta sexta, é a situação dos preços no país, que deve manter os juros em 0,1% - o nível mais baixo de todos os países desenvolvidos. Também nesta sexta-feira, o ministro japonês de Finanças, Hirohisa Fujii, disse que se sente profundamente preocupado pela deflação no Japão e assegurou que as medidas de estímulo governamentais não ajudarão a que subam os preços. "Somos conscientes do grave risco" e "a situação atual não é a que deveria ser", disse Fujii em entrevista coletiva.
Fujii considerou a deflação "um ponto muito importante" para apreciar a evolução de uma economia e opinou que as políticas fiscais, em princípio, não são suficientes para escorar a recuperação. Para o ministro das Finanças japonês, "as medidas públicas têm efeitos positivos, mas quando se fala de melhorar a economia, citando a (John Maynard) Keynes, deve vir do setor privado".
O PIB (Produto Interno Bruto) do Japão cresceu entre julho e setembro 4,8% em base anual, seu maior aumento desde 2007. O salto ocorreu pelo segundo trimestre consecutivo, mas a queda dos preços continua sendo a maior preocupação do governo japonês.
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