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publicado em 08/03/2010 às 10h23:

Governo divulga lista de retaliação a produtos dos EUA

Frutas, remédios e até produtos de beleza americanos ficarão mais caros no Brasil

Mariana Londres, do R7 em Brasília

O governo brasileiro divulgou nesta segunda-feira (8) no Diário Oficial da União a lista de produtos norte-americanos que terão aumento na tarifa de importação. A retaliação, que seria como um "troco" do Brasil aos Estados Unidos, foi autorizada no ano passado pela OMC (Organização Mundial de Comércio), organização internacional que trata das regras sobre o comércio entre as nações. A medida entra em vigor em 30 dias.

Na ocasião, o Brasil apresentou uma denúncia em relação a disputa envolvendo subsídios -- ajudas governamentais – aos produtores de algodão americanos. Para o governo brasileiro, os EUA ajudam a provocar uma concorrência desleal no mercado mundial de algodão, por permitir que os produtores vendam sempre com preços inferiores aos praticados pelo mercado.

A decisão da retaliação provoca um aumento de até 50% nos preços dos produtos americanos comprados pelo Brasil. Ou seja, a medida visa diminuir a compra de produtos americanos pelo mercado brasileiro, por meio do aumento nos preços. O total desse "troco" do governo brasileiro nos EUA é de R$ 1,4 bilhão (US$ 800 milhões).

Entre os produtos da lista estão itens como: peras, cerejas, ameixas (com imposto de importação que foi fixado em 30%); remédios como o analgésico paracetamol (28%); produtos de higiene e beleza como cremes, produtos para os lábios, águas de colônia e lâminas (36%); e outros industrializados como leitores de códigos de barras (22%), fones de ouvido (40%), óculos de sol (40%), veículos de até mil cilindradas (50%) e freezers (40%). Para algodão e subprodutos (como o algodão penteado) a alíquota de importação sobe para 100%.

A publicação da lista aconteceu com uma semana de atraso. A promessa do governo era divulgar os produtos na segunda-feira (1º) da semana passada. O atraso foi justificado pelo Ministério do Desenvolvimento por “ajustes na lista”.

Mas grandes empresas apostavam que a visita da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que aconteceu na quarta-feira (3), poderia influenciar nas decisões da retaliação. Durante a visita da secretária, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, reiterou a posição brasileira: se os americanos oferecerem uma solução ao caso, o Brasil abriria mão de uma retaliação.


 
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