27 de Maio de 2012

O primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, tentava nesta segunda-feira (6) obter o apoio dos partidos do governo para as reformas exigidas pela UE (União Europeia) e pelo FMI para evitar a quebra e a saída do euro do país, às vésperas de uma greve geral contra os novos cortes.
Nesta segunda-feira à noite, enquanto uma primeira manifestação da oposição de esquerda protestava nas ruas de Atenas contra as reformas, Papademos se reuniu com a troika de credores institucionais do país: a União Europeia, o BCE (Banco Central Europeu) e o FMI (Fundo Monetário Internacional).
A esperança de concluir nesta segunda-feira um acordo político na aliança governamental, formada pelo Partido Socialista, de Giorgos Papandreu, o conservador, de Antonis Samaras, e a extrema direita, de Giorgos Karatzaferis, sobre as medidas a serem aplicadas naufragou. A reunião prevista foi adiada para terça-feira (7), segundo uma fonte governamental.
Uma fonte governamental deu à AFP uma justificativa esse novo prazo.
- As negociações continuam. Ainda há temas a serem solucionados.
A CE (Comissão Europeia), no entanto, advertiu nesta segunda-feira que as negociações para que a Grécia chegue a um acordo com seus credores para evitar a suspensão de pagamentos do país já perderam o prazo, segundo disse o porta-voz comunitário Amadeu Altafaj.
- A verdade é que já estamos fora do prazo. É preciso tomar decisões e a bola está no campo dos gregos.
Há meses, o governo grego batalha em duas frentes: por um lado com seus credores privados para eliminar R$ 225,3 bilhões (100 bilhões de euros) da dívida pública, e com seus credores públicos (UE, BCE, FMI) para a concessão de um segundo plano de resgate de R$ 292,9 bilhões (130 bilhões de euros).
Estas duas negociações interconectadas têm por objetivo evitar uma rápida quebra da Grécia e rebaixar o nível de seu endividamento para que seja algo mais sustentável.
Para desbloquear o segundo resgate e aprovar o perdão de R$ 225,3 bilhões (100 bilhões de euros) de dívida pública em mãos privadas, o trio UE-BCE-FMI exige a Papandreu, Samaras e Karatzaferis que se comprometam de forma explícita a aplicar os ajustes acordados.
Os três dirigentes, no entanto, têm se mostrado reticentes em se comprometer com medidas impopulares, que podem agravar uma recessão que domina o país desde 2008.
Caso não haja acordo, a Grécia pode entrar em default (moratória) no dia 20 de março, data de vencimento de obrigações no valor total de R$ 32,6 bilhões (14,5 bilhões de euros).
Após cinco horas de discussões no domingo com os três dirigentes que apoiam seu governo, Papademos disse que havia um acordo sobre o volume da economia que o Estado teria que fazer (1,5% de PIB), sobre as reformas destinadas a reduzir os custos de produção e sobre um esquema de recapitalização dos bancos gregos.
Segundo a imprensa, devem ser negociados nesta segunda-feira cortes nas pensões, a redução do salário mínimo entre 25 e 30% pedida pela UE e pelo FMI, e pelo número de demissões de funcionários.
A maioria dos jornais do país apostava nesta segunda-feira em um acordo final entre Papademos e os três dirigentes gregos.
Os dois principais sindicatos gregos também pareciam antecipar um acordo, ao convocar uma greve geral para terça-feira contra as novas medidas de austeridade exigidas pela UE e pelo FMI.
Essas medidas são "a crônica de uma morte anunciada (...), o objetivo é derrubar todo o direito de trabalho e reduzir os salários entre 20 e 30%, além dos cortes já efetuados", disse na segunda-feira Iannis Panagopulos, líder do GSEE, central sindical do setor privado.
O aumento da tensão nos mercados quanto à lentidão das negociações sobre a dívida grega fez com que as principais bolsas europeias encerrassem a sessão desta segunda-feira com ligeiras quedas, em um mercado tenso devido à lentidão das negociações sobre a dívida grega.
O FTSE 100 de Londres terminou o dia com baixa de 0,15%, para 5.892,20 pontos.
Em Frankfurt, o índice DAX 30 também registrou leve queda, de -0,03%, aos 6.764,83 pontos no fechamento.
O CAC 40, de Paris, perdeu 0,66%, para os 3.405,27 pontos.
Em Madri, o IBEX 35 caiu 0,29% para fechar a 8.835,30 unidades.
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