O assessor técnico da presidência do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Milko Matijascic, afirmou que o Brasil foi um dos países que tiveram melhor resposta à crise que derrubou várias economias em meados de 2008. Ele, no entanto, não concorda inteiramente com a tese do presidente Lula, de que para o país a crise internacional foi uma “marolinha”.
- Não podemos dizer que foi uma marolinha, nem um tsunami, mas o Brasil se saiu bem.
O Ipea alerta que apesar de o país ter comemorado recentemente a criação de mais de 1 milhão de empregos, o trabalhador ainda tem motivos para se preocupar. Além de o cenário econômico demonstrar diminuição da massa salarial – estudo em andamento que ainda não conta com dados consolidados – muitas das vagas geradas vieram de empreendimentos que não garantem emprego sólido.
- O brasileiro, individualmente, tem sim que ficar preocupado. É uma preocupação real.
Para o Ipea, ainda é "muito difícil" dizer que o Brasil saiu da crise, pois a economia brasileira é interligada a outras economias que ainda vivem cenário difícil. Um ponto preocupante apontado por Matijascic é o câmbio. De acordo com o pesquisador, a queda do câmbio é preocupante, porque afeta diretamente empreendimentos que produzem para a exportação. Esse tipo de indústria, explica o assessor, gera os empregos mais sólidos.
A musculatura da economia brasileira só será testada, afirma, no primeiro trimestre do próximo ano. Por enquanto, a maioria das áreas de produção ainda recebem incentivos fiscais do governo. Um deles é a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que valerá até o fim de janeiro. Empresário já haviam avisado ao governo que se a redução do IPI não fosse prorrogada no fim do ano, talvez tivessem de demitir muitos trabalhadores.