O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a partir de fevereiro a indústria terá que voltar a caminhar com as próprias pernas e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) deve voltar aos níveis pré-crise financeira.
Mantega negou, porém, que o critério ambiental tenha alguma relação com a plataforma política do PT em torno da candidatura da ministra Dilma Rousseff, possível concorrente da senadora ambientalista Marina Silva (PV-AC).
- Qualquer medida que nós tomarmos agora vai ser pensando naquilo, vão sempre dizer isso. Eu sou ministro e tenho que pensar no impacto econômico e nas medidas ambientais.
A redução do IPI custará R$ 132,1 milhões aos cofres públicos até janeiro. O governo determina que a redução do imposto seja integralmente repassada aos consumidores. Representantes de industriais e de revendedores de eletrodomésticos alertaram o ministério para a possibilidade de corte de empregos e diminuição de vagas temporárias de Natal se a redução do IPI não fosse prorrogada.
A Associação Nacional de Fabricantes de Eletrodomésticos esperava demitir em vez de contratar, revela o presidente da entidade, Lourival Kiçula.
- Se o IPI voltasse a níveis anteriores nós teríamos que demitir pessoal.
A presidente do IDV (Instituto de Desenvolvimento de Varejo), Luiza Trajano, afirmou que a contratação de temporários para o Natal será três vezes maior com a redução do IPI. O desconto anunciado pelo governo será integramente repassado, de acordo com a representante do IDV.
- Se não acontecesse a prorrogação nós contrataríamos 5% de temporários, agora esperamos ampliar de 10% a 15% do quadro para o fim do ano. O varejo vai ter um reflexo grande imediato a partir de amanhã, que se contrata de novembro a dezembro. As vendas de eletrodomésticos correspondem a 30% das vendas de Natal.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também participou da reunião e argumentou que a medida tem o objetivo de economizar 35 gigawatts de energia em um ano.
O ministro informou que o governo não pretende cancelar o programa de troca de geladeiras antigas por novas com benefício fiscal para quem comprar eletrodomésticos da linha “verde”, mas afirmou que a proposta ainda não foi desenvolvida, porque o governo tem dificuldade em encontrar assistências técnicas dispostas a trocar o gás dos aparelhos antigos.