As mulheres já são maioria entre os empreendedores no Brasil, apesar do desafio de conciliar com sucesso a carreira e a maternidade. Segundo pesquisa divulgada pelo Sebrae e pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em 2009 elas representavam 53% do total das pessoas que, por necessidade ou escolha, abriram novos negócios ou passaram a atuar por conta própria em iniciativas no mercado.
Um exemplo é Thaís Kato, jornalista que atualmente trabalha com origamis em tecido. Ela tem 32 anos e atuou nove anos em sua área de formação, mas abriu mão de tudo para estar mais perto da família, especialmente da filha, Julia. Para isso, decidiu trabalhar em casa e revender seus produtos.
- Eu não me arrependo da minha decisão. Ser empreendedora me realizou profissionalmente e me proporcionou estar mais perto da minha família. De quebra, minha renda dobrou.
Bem-sucedidas profissionalmente, Daniela Buono, Roberta Marcinkowski e Kátia Raele também deram uma virada na carreira ao fundarem, juntas, a Companhia das Mães. Trata-se de um portal de venda, troca e compra de produtos e que serve também para que mães troquem informações e mantenham contato. Elas se conheceram em uma rede de relacionamento para mães e tiveram a ideia de expor seus trabalhos.
Antes, todas tinham o dilema da falta de tempo para os filhos. Trabalhar mais de oito horas fora de casa significava muito tempo longe dos filhos. Era o caso da produtora de vídeos Daniela Buono, mãe de Maria Clara e Isabel.
- Saia de casa às 8h e voltava às 22h. Sempre encontrava as crianças dormindo. Pensei muito e concluí que só conseguiria a autonomia para estar mais perto das minhas filhas se tivesse meu próprio negócio. Quando caiu essa ficha, comecei a desejar "engravidar" pela terceira vez, só que dessa vez queria dar à luz uma empresa.
A violonista Roberta Marcinkowski é a responsável pelo estoque da companhia e ainda trabalha na Orquestra Sinfônica de Municipal e da Orquestra Jazz Sinfônica.
Para ela, existe um grande número de mulheres que produz trabalhos em casa que podem ser comercializados. Ser empreendedora é o caminho para se conciliar a maternidade e a vida profissional.
- Espero que nossa ideia ajude a ampliar os conceitos de trabalho e família na sociedade, que as mulheres encontrem um meio-termo mais confortável para criar seus filhos com maior proximidade, o que certamente vai gerar indivíduos mais felizes.