O último boletim Focus do Banco Central, que leva em conta a opinião de analistas do mercado financeiro, aponta uma previsão de crescimento de 5,5% para a economia brasileira em 2010. Porém, há economistas que discordam desse número, seja para mais ou para menos. Os bancos, por exemplo, são mais cautelosos, enquanto membros da FGV (Fundação Getúlio Vargas) calculam aumento na casa de 6%.
Para Paulo Brasil, conselheiro do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo), é factível o número de 5,5% se não houver “situações de ordem econômica, social e atmosférica” que afetem o Brasil.
- Por exemplo, um problema atmosférico, como o terremoto do Chile, pode afetar a economia brasileira de dois jeitos: pode resultar em uma variação positiva, já que o país vai se reconstruir e pode comprar matérias-primas do Brasil, ou negativa, já que o mercado chileno pode parar de comprar mercadorias brasileiras.
O economista usa ainda as projeções dos Brics (grupo das economias emergentes, que reúne Brasil, Índia, China e Rússia) para explicar o crescimento. Segundo o professor Brasil, “Índia e China têm previsão de crescimento com dois dígitos [acima de 10%], entretanto, os dois têm problemas sociais muito mais graves que os do Brasil”.
Já Samuel de Abreu Pessoa, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), é ainda mais otimista: “meu número [para o PIB em 2010] é de 6,5%”. Para Pessoa, “a gestão da política econômica do governo foi bem feita, o que gerou impactos pequenos na economia”. Com isso, em 2010, o Brasil só iria recuperar o que deixou de ganhar no ano passado.
- Crescer 6,5% hoje [em 2010], equivale a crescer cerca de 3% em dois anos. Entretanto, acho que só no final do ano a gente vai voltar para os níveis antes da pancada [da crise financeira mundial, iniciada em outubro de 2008].
Por outro lado, Luiza Rodrigues, economista do banco Santander, projeta uma expansão menor para o PIB em 2010. A redução do número se deve, segundo Luiza, ao aumento das compras de produtos do exterior, sobretudo máquinas para a indústria.
- Acho que dá para chegar ao crescimento de 5,5%, mas é muito otimismo. Estamos esperando 4,8% de alta. Quando tem uma recuperação econômica, o investimento começa a crescer, mas as importações crescem junto porque as empresas precisam comprar máquinas - geralmente produzidas fora do Brasil. Quando você importa, [afeta a balança comercial e] você diminui o PIB. Se não fosse essa dinâmica, a economia brasileira cresceria até 6%.