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publicado em 17/09/2010 às 10h00: atualizado em: 17/09/2010 às 16h30

Metade dos brasileiros vive com até um salário mínimo

Dos 191,2 milhões de brasileiros, 56,8% tinham renda familiar entre zero e R$ 465 em 2009

Do R7

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Um pouco mais da metade da população brasileira vivia com uma renda mensal de menos de um salário mínimo em 2009. É o que mostra a Síntese de Indicadores Sociais, divulgada nesta sexta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O mínimo da época era de R$ 465.

A pesquisa considera que, dos 191,2 milhões de brasileiros, 56,8% tinham renda familiar entre zero e R$ 465. Das pessoas residentes em domicílios particulares, a pesquisa mostra que 29% viviam com menos de R$ 232,50 (meio salário mínimo).

Em relação ao grupo que ganha de um a dois salários mínimos (R$ 930), o número de pessoas chegava a 22,5% da população. Outros 15,8% ganhavam a partir de dois salários mínimos. Já 2,3% da população não tinha renda alguma, enquanto 3,2% não declararam quanto ganham.

Em valores, o grupo formado pelos 10% mais ricos tinha renda média de R$ 3.293,08, segundo a pesquisa do IBGE. Na ponta de baixo da pirâmide, os 10% mais pobres ganhavam R$ 82,28 por mês – ou 40 vezes menos do que o rendimento dos ricos.

Comparando com o valor do salário mínimo, os 10% mais ricos ganhavam 7,08 salários, enquanto os pobres levavam uma fatia de 0,18 do mínimo.

Desigualdade de renda caiu

Apesar da grande distância que separa os ricos dos pobres, o IBGE vê uma boa notícia: as desigualdades caíram entre 1999 e 2009, em decorrência da melhora no mercado de trabalho de lá para cá e da expansão dos programas de distribuição de renda.

- A expansão recente de programas de transferência de renda focalizados na população mais pobre, como o Bolsa Família, o BPC-Loas (Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social), entre outros de âmbitos estadual e municipal, vem contribuindo para uma redistribuição interna entre as diversas partes componentes do rendimento familiar total.

O resultado foi o aumento significativo das chamadas “outras fontes” em detrimento dos rendimentos de trabalho e de aposentadoria e pensões. Entram nesse grupo os ganhos vindos de aposentadoria, de pensão, de programas de previdência ou de assistência social, e de programas oficiais de auxílio educacional (como o Bolsa Escola) ou social (Renda Mínima, Bolsa Família, entre outros).

Para o total das famílias, os rendimentos de “outras fontes” representavam 5% do total de rendimento familiar; os rendimentos do trabalho correspondiam a 76,2%; e os rendimentos de aposentadoria e pensão, a 18,8%.

Para as famílias com renda familiar per capita de até um quarto de salário mínimo (R$ 116,25), os rendimentos de “outras fontes” representavam 28% do total da renda familiar em 2009, ao passo que, em 1999, essa participação era de apenas 4,4%.

Nordeste ainda é o mais pobre

Segundo o IBGE, o grande problema da desigualdade ainda está ligado à região: 76,5% da população de 53,8 milhões de pessoas ganhavam até um salário mínimo, na região Nordeste; 70,2% dos 15,5 milhões de pessoas estavam nesse grupo, no Norte; e 53,6% dos 13,9 milhões de brasileiros estavam nessa faixa, no Centro-Oeste.

No Sul, ganhavam até R$ 465 uma parcela de 43,9% dos 27,6 milhões da população. No Sudeste, essa fatia correspondia a 46,1% dos 80,2 milhões de pessoas.

- As desigualdades de renda na sociedade brasileira estão bastante enraizadas nas diferenças territoriais. Os indicadores de condições de vida referentes à população residente na região Nordeste são sistematicamente menos favoráveis do que aqueles registrados no Sudeste.


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