A morte não é o ganha-pão apenas dos donos de funerárias e cemitérios. A cultura também se aproveita do seu poder de atração. Na história do cinema, da TV e da literatura, há uma longa lista de produções que exploraram o universo da morbidez.
O ator norte-americano Michael C. Hall é um exemplo de artista que ganhou dinheiro e fama no papel de um diretor funerário. Ele despontou no seriado "A Sete Palmos", sobre dois irmãos que perdem o pai e têm de cuidar da funerária e dos dramas pessoais da família, como a irmã desajustada que só namora rapazes complicados (como um viciado em drogas e assaltante) e a mãe viúva reprimida às voltas com a descoberta de desejos sexuais incomuns (como fazer sexo no mato).
O sucesso do seriado impulsinou a carreira de Michael C. Hall, que ganhou o papel de único protagonista da bem-sucedida série "Dexter". Mais uma vez, o ator encarna um personagem que lida diariamente com a morte. Ele coleta sangue em cenas de crimes, analisa amostras e aponta para a polícia pistas para desvendar assassinatos. Detalhe: ele também é um serial killer justiceiro muito frio e inteligente que mata apenas homicidas de crimes bárbaros, como pedófilos.
Até o galã Brad Pitt já ganhou muito dinheiro com um roteiro sobre a morte. No filme "Encontro Marcado" (1998), ele interpretou Joe, a personificação da morte, com muito charme. Um clássico do gênero é "O Sétimo Selo" sobre o medo da morte, de 1957, do cultuado diretor sueco Ingmar Bergman, que morreu em 2007. A morte não sai de moda no mundo do entretenimento por ser uma máquina de gerar lucros. A bola da vez é a figura macabra do vampiro. Para o próximo dia 20 de novembro, os cinemas brasileiros esperam lotar com "Lua Nova", segundo filme da série "Crepúsculo", baseado nos livros de sucesso da escritora Stephanie Meyer, sobre o romance do vampiro Edward (que catapultou a carreira do jovem galã Robert Pattinson, 23) com a namorada Bella.
"Os períodos de guerra, crise e turbulência econômica dão origem à produção de vampiros e à ficção fantástica. Com a recessão e a guerra, o conflito parece se voltar para dentro, enquanto questionamos nossa situação fiscal, política e moral. Fomos excessivos demais? Precisamos ser mais contidos? Parece que estamos novamente questionando esses valores fundamentais", explicou ao "New York Times" o especialista na lenda dos vampiros Thomas Garza, da Universidade do Texas (EUA).