Com a compra do controle das Casas Bahia, anunciada nesta sexta-feira (4), o grupo Pão de Açúcar se transforma em um gigante de varejo de alimentos, móveis e eletroeletrônicos, com um faturamento combinado de R$ 40 bilhões por ano. Com a fusão, o grupo passa a ter vendas iguais às do Walmart e do Carrefour juntos, seus principais concorrentes.
Pelo acordo, as Casas Bahia serão sócias do Pão de Açúcar numa nova empresa de móveis e eletroeletrônicos, que inclui o Extra Eletro e o Ponto Frio, adquirido em junho. Terá 1.015 lojas físicas, espalhadas por 337 municípios, 28 centros de distribuição e 62 mil funcionários. Ficará 6 vezes maior que a sua principal rival no mercado de eletroeletrônicos e móveis, a Magazine Luiza. O Pão de Açúcar ficará com 51% do capital e as Casas Bahia, com 49%. A nova companhia deverá começar a operar em 120 dias, depois da aprovação da assembleia de acionistas e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Juntas, as Casas Bahia e o Ponto Frio dominarão mais de 70% das vendas de linha branca no Estado de São Paulo, um dos maiores mercados consumidores do País. A estimativa, do Provar (Programa de Administração do Varejo), da FIA (Fundação Instituto de Administração), foi feita com base nos números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e no faturamento das companhias. A atuação dos dois grupos é especialmente forte na região Sudeste, segundo o professor Nuno Fouto, da Provar. No Nordeste e no Sul, as redes locais ainda têm participação relevante no mercado.
Esse nível de concentração pode ser entendido pelo Cade como monopólio. Um conselheiro afirmou que a análise da operação deverá ser muito cuidadosa, porque "a primeira impressão é de um movimento de concentração acentuado do varejo". Embora afirme que a operação não sofrerá resistência no órgão regulador, o Grupo Pão de Açúcar já contratou escritórios de advocacia para cuidar da questão.
O presidente da Latinlink Consultoria, Ruy Coutinho, prevê que o Cade deverá propor ao Pão de Açúcar e às Casas Bahia a assinatura de um Acordo de Preservação de Reversibilidade da Operação (Apro) para manter a identidade das duas empresas até o julgamento da operação de compra das Casas Bahia pelo Pão de Açúcar.