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26 de Maio de 2012

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publicado em 04/02/2012 às 12h48:

Para proteger fortuna de R$ 515 milhões, milionário
tenta driblar Justiça e adota a namorada de 42 anos

Herdeiro de império de mais R$ 2,4 bi é suspeito de morte de jovem em acidente de trânsito

Do R7, com Agência Estado

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Em uma cidade em que ser rico é normal, o milionário John Goodman, de 48 anos, de Palm Beach, Flórida, nos Estados Unidos, adotou a própria namorada, de 42 anos, para evitar que uma ação na Justiça abocanhe uma fortuna de R$ 515 milhões (US$ 300 milhões). 

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O dinheiro está em um fundo e é uma reserva para os dois filhos do milionário, mas os jovens só podem resgatar a grana quando completarem 35 anos. Para proteger a grana, a estratégia dos advogados de Goodman foi transformar a namorada em “filha”.

Heather Hutchins já tem 42 anos e pode, a qualquer momento, retirar o dinheiro para cuidar dos filhos de Goodman e também dele. Agora, o fundo foi efetivamente dividido em três partes e um terço pertence a ela, segundo o jornal americano Palm Beach Post.

Fundador do Internacional Polo Clube de Palm Beach, Goodman é réu em dois processos na Justiça americana: um pela morte de um jovem de 23 anos, após acidente de trânsito em que, supostamente, ele estava embriagado; e outro, movido pela família da vítima, em que é acusado de negligência e irresponsabilidade no acidente. Este último pode abocanhar boa parte da fortuna do milionário.

Entenda o caso

Heather Hutchins é oficialmente “filha do namorado” desde outubro de 2011, mas a adoção só se tornou pública nesta semana por causa da proximidade de uma disputa judicial, fato noticiado pelos jornais americanos Tampa Bay Times e USA Today .

O milionário herdou uma fortuna deixada pelo pai, que tinha uma empresa de ar condicionado. Nos próximos dias, ele pode ir para a cadeia por ser suspeito de matar, sem intenção, Scott Patrick Wilson, de 23 anos, em fevereiro de 2010, após em um acidente de carro.

Segundo a acusação, ele dirigia embriagado, não respeitou uma parada obrigatória, bateu forte no carro de Wilson com seu Bentley conversível e fugiu, em vez de prestar socorro à vítima. Ele pode pegar até 30 anos de cadeia. Este julgamento está marcado para o dia 6 de março. 

No mesmo mês, entretanto, Goodman vai ficar no banco dos réus novamente. Desta vez, em um fórum cível, ele vai tentar se livrar de uma acusação da família da vítima, que se baseia em danos causados por atos de negligência e irresponsabilidade que resultaram em morte do jovem, recém-formado na Universidade Central Florida.

A ação civil corre inteiramente separada e não depende do transcurso ou do resultado da ação criminal e, segundo previsões no tribunal, esse processo pode comer boa parte da fortuna de Goodman.

A decisão de transformar o milionário em namorado-pai é uma tática dos advogados para evitar as consequências dos processos. Há alguns anos, Goodman criou um fundo fiduciário de mais de US$ 300 milhões para seus dois filhos, mas as crianças só podem pegar o dinheiro quando tiverem 35 anos.

Ao adotar a namorada de 42 anos, o acesso à grana fica muito mais fácil, já que a idade dela é superior aos 35 anos exigidos.

Outro lado

A fortuna de Goodman é bem maior do que mostram seus documentos financeiros, diz o advogado da família da vítima, Chris Searcy.

Segundo ele, uma grande parte da riqueza de Goodman "está enterrada em fundos fiduciários e empresas".

Em 2002, por exemplo, ele vendeu a propriedade imobiliária onde vive, em Wellington, no condado de Palm Beach, por R$ 6,5 milhões (US$ 3,8 milhões), ao fundo fiduciário de seus filhos e passou a alugá-la, por R$ 3.400 (US$ 2.000) por mês, diz o Tampa Bay Times.

Ele multiplicou a fortuna deixada pelo pai, depois que a família vendeu a empresa de ar condicionado por R$ 2,4 bilhão (US$ 1,4 bilhão), em 2004, e, entre outros negócios, criou o clube de polo, que atrai ricos e famosos, como o Príncipe Charles, da Inglaterra, Charlton Heston e Sylvester Stallone.

Apesar das previsões de que a condenação vai custar uma fortuna ao milionário, o juiz que vai julgar o caso, Glenn Kelly, já determinou que os jurados não deverão ser informados sobre o fundo fiduciário e a adoção da namorada.

De acordo com o magistrado, “um júri inflamado pode aplicar uma penalidade financeira tão alta que pode levar John Goodman à falência” e esse não é o propósito da ação civil movida contra ele pela família da vítima.

No entanto, o juiz classificou a manobra jurídica — e toda a situação — de "surrealista" e "sem precedentes". Do ponto de vista jurídico, a manobra vai colocar o tribunal em uma situação inusitada.

 

Veja as respostas do quiz


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