26 de Maio de 2012
Frigoríficos concorrentes de JBS e Marfrig reclamam do BNDES e pedem igualdade

A região de Barra do Garça, em Mato Grosso, já foi o melhor lugar do Estado para vender gado. A presença de unidades dos frigoríficos Independência, Margen, Bertin e JBS garantia competição entre eles e a oferta dos preços mais altos para os pecuaristas. De dois anos para cá, Independência e Margen quebraram e o Bertin foi comprado pelo JBS, que ficou sozinho na região e amassou o preço da arroba.
Segundo Luciano Vacari, superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), o Estado que tem o maior rebanho de gado bovino do país, o JBS "é o dono do pedaço e paga quanto quer".
- Barra do Garça agora paga um dos piores preços do Estado.
Os outros frigoríficos, concorrentes de JBS e Marfrig, também reclamam. Péricles Salazar, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos, diz que querem igualdade.
- Tudo bem apoiar o Friboi e Marfrig, mas outros frigoríficos precisam de financiamento e o BNDES só tem dinheiro para os grandes.
De acordo com José Vicente Ferraz, analista da consultoria Agra FNP, a política de criação de grandes frigoríficos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu ao JBS - e em menor escala, também ao Marfrig - uma força desproporcional em relação aos pecuaristas e mesmo a frigoríficos menores.- Isso provoca um desequilíbrio na cadeia produtiva. É perigoso.
Para José Carlos Hausknecht. sócio da consultoria MB Agro, a estratégia do BNDES é equivocada.
- Pelas nossas contas, o JBS hoje tem 80% de seu faturamento no exterior. Por que o BNDES precisa financiar a produção em outros países?
O consultor cita como exemplo a compra da Pilgrim?s Pride, uma das líderes no abate de frangos nos Estados Unidos, pelo JBS, com apoio financeiro do BNDES.
- Além de gerar empregos lá fora, vão usar dinheiro do BNDES para fortalecer a exportação americana de frangos, que vai competir com a produção brasileira.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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