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publicado em 04/03/2010 às 12h41:

PF faz operação contra clonagem de cartão de crédito

Quadrilha comprava passagens aéreas com dinheiro; rombo pode chegar a R$ 2 mi

Agência Estado

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (4) a Operação Ícaro, com o objetivo de desarticular uma quadrilha voltada à clonagem de cartões bancários e utilização em compras de passagens aéreas, entre outros produtos. Estão sendo cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e nove mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Bahia e Ceará. A corporação não informou o número de presos. 

Na região de Governador Valadares (MG), os integrantes da quadrilha vendiam qualquer passagem aérea no Brasil ao valor de 50% do preço original que continha no site, independente do dia, da quantidade e do destino, segundo a PF. Estimativas dos agentes indicam que ao longo do ano passado, a quadrilha tenha dando um rombo no faturamento das empresas aéreas em valor superior a R$ 2 milhões. 

Dentre os passageiros identificados pela PF estão médicos, dentistas, funcionários públicos - inclusive integrantes da prefeitura de Governador Valadares - e autoridades públicas como juízes, promotores, procuradores federais e políticos que compraram passagens em princípio sem conhecimento da fraude. 

Um dos presos da operação de hoje, de acordo com a PF, foi recentemente detido em flagrante no Pará durante a execução da terceira fase do vestibular da universidade federal no Estado, ocorrida no último dia 11, quando utilizava documento de identidade falso em nome de um terceiro candidato, fazendo-se passar por ele durante a prova. 

Além dos 28 integrantes do esquema criminoso, foi indiciada também a gerente-geral da CEF (Caixa Econômica Federal) de Governador Valadares em razão do vazamento, durante os trabalhos investigativos, de conteúdo sigiloso da operação, já que ela tinha conhecimento por causa do cargo que ocupa. 

Denúncia 

Segundo a PF, as investigações começaram em novembro do ano passado a partir de denúncia de uma empresa aérea que percebeu divergências no faturamento do aeroporto da cidade. A companhia verificou que, apesar da alta frequência de passageiros nos seus voos, o faturamento e lucro haviam caído vertiginosamente, tendo em vista o uso de cartões de credito clonados para pagamento das passagens. 

A quadrilha obtinha de modo fraudulento os números de cartões de crédito de terceiros, que eram utilizados para compra de diversos produtos pela internet, especialmente passagens aéreas. O grupo era bem dividido, sendo que cada um tinha uma função pré-determinada. 

A primeira parte do bando, sediado em Belém (PA), era responsável pela captação dos números de cartão de credito, o que se dava de duas formas: por meio de empresas terceirizadas de editoras que vendiam assinaturas de revistas ou pelo ato de "malhar cartão", que na gíria dos criminosos consiste em telefonar para a casa de clientes, fazendo-se passar por funcionários do centro de qualidade das operadoras de cartão. Assim, eles conseguiam confirmar todos os dados dos cartões de crédito. Os alvos preferenciais eram os idosos. 

De acordo com a PF, a quadrilha efetuava essas ligações por meio de linhas telefônicas conseguidas de forma ilícita, cadastradas em nome de terceiros, com os quais eles montavam uma central telefônica clandestina em suas residências e escritórios. A segunda parte do grupo, também sediado em Belém, era responsável pela compra desses números de cartões de credito. 

Valor 

Cada cartão de crédito era negociado entre R$ 3 e R$ 150, a depender da quantidade de dados disponíveis, do limite de crédito, da validade e da confiabilidade. Ou seja, os cartões em que constassem apenas o número, a data de validade e o código de segurança, sem qualquer indicativo do limite ou dados do titular, como seu CPF e endereço de cobrança, tinham valor mais baixo, segundo a PF. 


Em contrapartida, os cartões com os dados completos, com limite alto comprovado, contendo todos os dados do seu titular e nunca antes usado na atividade criminosa, era vendido por até R$ 150 cada. 

A terceira parte da quadrilha, sediada tanto em Belém quanto em Governador Valadares, Belo Horizonte e Rio, tinham a função de conseguir os compradores dos produtos, como passagens aéreas (inclusive internacionais, com destinos para o Paraguai, os Estados Unidos e a Europa), diárias em hotéis de luxo na Grande São Paulo, em Belo Horizonte e na capital fluminense e ingressos de camarote para shows e ainda produtos de sites de compras da internet.


 
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