26 de Maio de 2012
MVC usa polímero como o de casco de navios para montar residências populares
A primeira casa de plástico do Brasil surgiu em 2005, a partir da parceria de uma fabricante deste material. Hoje, a MVC – braço da fabricante de ônibus Marcopolo – tem casas em cidades do Rio Grande do Sul, projetos para o Rio de Janeiro e exporta parte da produção para países como Venezuela, Paraguai, Chile e Angola.
A empresa diz que o m² (metro quadrado) construído pode custar a partir de R$ 650. Em SP, o preço do m² convencional passou dos R$ 905 em agosto, segundo as contas do SindusCon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo).
Gilmar Lima, diretor-geral da MVC, diz que a tecnologia mescla, em uma “estrutura tipo sanduíche”, lâminas de plástico reforçado (um tipo de PVC, aquele do encanamento da sua casa, só que mais resistente) com fibra de vidro montadas sobre um esqueleto de aço naval. Ele diz que a empresa desenvolve o material desde 2003.
- É como um plástico daqueles utilizados em cascos de barcos, ou em um trem, ou em um caminhão. Com a diferença que uma casa fica parada. Nossa casa de plástico é um polímero de alta tecnologia, com alto desempenho de resistência a fogo, a pancadas, a água e durabilidade perto dos cem anos. Ele não tem origem nos plásticos recicláveis, mas pode ser reciclado.
Ele diz que a companhia já vende kits prontos para residências de três tamanhos diferentes – 36 m², 42 m² ou 63 m². Desde 2005, são mais de 1.600 imóveis construídos (70 mil m²). Outros 1.500 ainda estão em contrato para serem entregues, sendo que a maior parte teve financiamento do Minha Casa Minha Vida – programa de habitação popular do governo federal.
- Nosso impedimento é que não posso fazer só uma casa. Tem que ter escala. Sempre trabalhamos com volumes mínimos de 50 a cem unidades.
Falta de moradias
Para o Mauricio Linn Bianchi, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do SindusCon, qualquer sistema de construção que seja capaz de unir materiais resistentes e duradouros a um preço baixo e a um tempo curto de produção deve ser desenvolvido.
- Temos um déficit habitacional muito grande para atender, escassez de mão de obra e um país extremamente grande e com diferentes áreas climáticas. Entre as tecnologias duráveis e de bom desempenho que conhecemos está o plástico. A questão é que qualquer sistema que ofereça redução de mão de obra e respeitar esses assuntos é benvindo.
Segundo ele, a casa de plástico é uma boa alternativa para atingir a meta de acabar com o déficit habitacional nos próximos 20 anos. Estimativas apontam que o Brasil precisa fazer ao menos 1,5 milhão de residências por ano para oferecer um lar para cada brasileiro.
No Reino Unido, o exemplo da casa plástica é levado adiante por uma empresa que recicla cerca de 18 toneladas do material para cada residência. A empresa Affersol produziu uma resina ultrarresistente, batizada de TPR (Thermo Poly Rock), que dura cerca de 60 anos.
Na China, a alternativa são apartamentos do tamanho de contêineres que podem ser colocados um sobre o outro. A indiana Tata, uma das maiores empresas do mundo, diz que vai oferecer um imóvel de 26 m² com sala, cozinha e quarto tudo junto por 670 mil rúpias (cerca R$ 28,2 mil).
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