O brasileiro que ganha até três salários mínimos (R$ 1.395) foi o que mais trocou de emprego e sofreu com a crise que atingiu a economia brasileira desde o final do ano passado, de acordo com pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicadas) obtida com exclusividade pelo R7.
O nível de rotatividade no mercado de trabalho brasileiro aumentou 6,4% no período, diz o estudo elaborado pelo presidente do Ipea, Marcio Pochmann.
- No Brasil, 60% das pessoas ficam menos de três anos na mesma empresa e isso é reflexo de uma cultura empresarial que não investe no funcionário. O resultado são os custos elevados para a economia como um todo.
Pochmann afirma que o auge do aumento do desemprego no Brasil foi em janeiro deste ano (quando a taxa chegou a 8,2%), mas que esse índice poderia ter sido ainda maior se não fosse o elevado nível de rotatividade dentro das empresas, que trocaram trabalhadores que ganham mais por outros que ganham menos.
- O ajuste feito pelas empresas para se adequar à realidade da crise não foi pela demissão, e sim pela troca de trabalhadores mais caros por outros mais baratos. E essa rotatividade é feita nos cargos menos estratégicos, onde estão as pessoas que ganham até três salários mínimos (R$ 1.395).
De acordo com o Ipea, isso aconteceu principalmente no setor de serviços, que não demitiu muito durante a crise (ele até absorveu empregos da indústria), mas teve índice de rotatividade bastante alto, de 65%.
De acordo com o IPEA, esse é um fenômeno que acontece mais no mercado de trabalho brasileiro do que em outras nações, especialmente nas desenvolvidas, como Estados Unidos e Japão.