26 de Maio de 2012
Reinfeldt sugeriu alteração alegando dificuldade em manter alto padrão de vida da população
O primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, provocou polêmica no país ao sugerir a ampliação do limite máximo de idade para aposentadoria de 67 para 75 anos, alegando dificuldades em manter o alto padrão de vida sueco diante do envelhecimento da população local.
Os comentários do premiê, feitos na última terça-feira (7), foram criticados em editoriais dos principais jornais do país nesta quarta (8), assim como pela oposição e sindicatos. Segundo uma pesquisa divulgada por uma TV local, 73% dos suecos seriam contra a medida. Para Reinfeldt, em entrevista ao jornal Dagens Nyheter, os suecos devem se preparar para trabalhar muito mais.
- O sistema de aposentadoria não é baseado em mágica, e sim no trabalho dos cidadãos e na redistribuição dos recursos em larga escala. Se as pessoas acham que podem viver mais tempo e diminuir seu tempo de serviço, então terão que aceitar que as pensões vão ser mais baixas. Será que as pessoas estão preparadas para isso? Acho que não.
A ideia de estender o limite de aposentadoria para 75 anos caiu como uma bomba no debate sobre um dos principais desafios suecos: como manter os padrões do atual Estado de bem-estar social frente ao envelhecimento do país, onde a população economicamente ativa trabalha para sustentar um contingente cada vez maior de aposentados.
Calcula-se que, em 2030, um em cada quatro suecos terá mais de 65 anos. O jornal Aftonbladet criticou o primeiro-ministro e disse que "para aqueles que vivem no meio político, como o premiê, trabalhar além dos 65 anos significa ocupar altos postos em conselhos de administração de empresas, ou trabalhos muito bem pagos em consultoria".
- Mas, para um operário ou funcionário de hospital, que sente que os joelhos e as costas já não funcionam tão bem com a idade, a história é outra.
Sistema flexível
País onde a expectativa de vida é de cerca de 80 anos, a Suécia tem um dos melhores padrões de qualidade de vida: é a 10º entre as nações com mais alto IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), lista em que o Brasil aparece em 84º.
Também possui um sistema flexível de aposentadoria, pelo qual os suecos podem se aposentar a partir dos 61 anos ou decidir trabalhar até, no máximo, os 67 anos de idade. Segundo a agência de estatísticas sueca, apenas 7,8% dos suecos com mais de 65 anos estavam empregados em 2010.
A porta-voz do premiê, Roberta Allenius, disse à BBC Brasil que os comentários de Reinfeldt não representam uma proposta concreta, e sim um ponto de vista para o debate sobre o envelhecimento populacional e a manutenção dos altos padrões de vida na Suécia.
- Não há nenhuma decisão política nesse sentido, mas o debate é necessário.
Reinfeldt sugeriu que os suecos provavelmente terão de estar dispostos a mudar de carreira se necessário, de forma a ter uma vida profissional mais longa.
'Boom do envelhecimento'
A líder do Centerpartiet (Partido do Centro), Annie Lööf, que integra a coalizão de governo, defendeu parcialmente a visão do primeiro-ministro.
- A grande pergunta é: como seremos capazes de manter o nível das pensões quando o boom do envelhecimento acontecer, em breve? É um desafio gigantesco.
Annie Lööf ainda acrescentou que uma eventual extensão da idade para aposentadoria não deveria ser compulsória. Segundo ela, "aqueles que conseguirem devem ter a possibilidade de continuar a trabalhar, e aqueles que não têm condições devem poder se aposentar".
Já a deputada Wiwi-Anne Johansson, do partido Social-Democrata, opinou que esperar que as pessoas trabalhem até os 75 anos é uma prova de "desconexão com a realidade".
- Uma coisa é certa: muitos sequer têm condições de trabalhar até os 65 anos. O que precisamos é de mais empregos. Não podemos ter uma taxa de desemprego de 8% a 9%. Se mais pessoas entrarem no mercado de trabalho, penso que conseguiremos solucionar uma grande parte do problema.
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