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publicado em 10/03/2010 às 08h25:

Sobretaxa do algodão deixará tolha,
lençol e roupa de luxo mais caros

Associação do setor prevê alta temporária de preços; lista inclui óculos de sol e joias

Raphael Hakime, do R7

As toalhas de rosto e de banho, lençóis, roupas de luxo, óculos de sol e joias vão pesar mais no bolso do brasileiro assim que as novas alíquotas de importação de produtos americanos entrarem em vigor. Entretanto, o aumento deve ser provisório porque a tendência é que esses produtos sejam substituídos por outros que venham de outros países. 

Segundo o diretor-superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção), Fernando Pimentel, “o consumidor pode sentir o aumento num primeiro momento, mesmo que temporário”. Ele afirma que a quantidade de produtos têxteis manufaturados que o Brasil importou dos Estados Unidos em 2009 é baixa, mas quando se levam em conta apenas os produtos que estão na lista de novas alíquotas, o montante passa a ser expressivo. 

- Em 2009, o Brasil importou US$ 141 milhões [R$ 251 milhões] em manufaturados têxteis [roupas, lençóis, fronhas, toalhas de rosto e de banho], com exceção da fibra de algodão [algodão como matéria-prima]. Considerando que o Brasil importou US$ 3,4 bilhões [R$ 6 bilhões] de manufaturados têxteis de todo o mundo, a participação dos EUA no total é baixa, de 4,15%. Mas quando pensamos só nos dez produtos incluídos na lista de retaliação, US$ 31 milhões [R$ 55,2 milhões] vieram dos EUA, sendo que o Brasil importou US$ 131 milhões [R$ 233, 3 milhões] do mundo inteiro, ou seja, 23,6% do total. 

O presidente da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), Nabil Sahyoun, afirmou ao R7 que os produtos americanos vendidos nos centros de compras, como óculos de sol, joias e calças jeans importadas, também sofrerão aumentos, embora acredite que os governos brasileiro e americano entrarão em acordo antes de a medida passar a vigorar. 

- O aumento do preço depende da margem de lucro das empresas. Se um produto custa R$ 100 para a loja, a empresa vende por R$ 200 para o consumidor com as cargas tributária e trabalhista [gastos com funcionários] incluídas. Então, quando falamos em uma alíquota de importação que passa de 18% para 36% [caso do óculos de sol], esse aumento será maior que os 18% da diferença, com certeza. Isso será repassado para o consumidor. 

Sahyoun projeta, entretanto, que o mercado vai substituir esses produtos naturalmente “para não inviabilizar a venda” e porque o consumidor percebe a alta do preço e “vai para o concorrente mais barato”. 

Carros 

Para o presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição dos Veículos Automotores), Sérgio Reze, a discussão ainda “é uma assunto meio frio” e ainda haverá um final feliz entre EUA e Brasil porque “os governos ainda estão em negociação”. Reze informou que um suposto aumento de preços dos veículos importados dos EUA vai depender da montadora. 

- Os produtos que entram na lista de novas alíquotas não são produtos que têm um volume muito substancial no mercado brasileiro. Tudo depende de como a montadora encara o mercado brasileiro. 

 
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