Um empreendedor persegue seu sonho de infância. Essa é a lição do pernambucano Geraldo Araújo, de 47 anos. Quando pequeno, ele queria voar, ser piloto. No final de 2008, ele e a esposa Lais Monteiro, de 37 anos, juntaram suas economias, compraram um monomotor e abriram uma empresa de voos turísticos no Recife.
Foi um caminho cheio de obstáculos. Antes dos 30 anos, Geraldo fez cursos e tirou a habilitação, mas só pilotou aeronaves de pequeno porte como hobby. Acabou trabalhando no chão de uma fábrica de embalagens até perder o emprego, após a indústria ter sido vendida.
Em 2006, ele chegou a montar uma empresa de táxi-aéreo no arquipélago de Fernando de Noronha. Mas o negócio fracassou, porque Geraldo não conseguiu licença para operar nesse paraíso da costa nordestina. Desiludido, ele mudou para Recife e, com a ajuda de sua mulher, finalmente conseguiu fazer o que sempre desejava.
A NVO, empresa de Geraldo e Laís, lucra levando os turistas às alturas. Na alta estação de turismo, no começo do ano, chega a fazer dois voos por dia, com até três clientes a bordo. Cada um paga R$ 150 por 25 minutos de aventura. No período de chuvas, o casal se assustou com o sumiço dos visitantes. Logo, a dupla montou uma estratégia para driblar as dificuldades: procurar novos mercados.
Além de levar casais em lua-de-mel para contemplar dos céus o relevo do Recife, a empresa quer usar o avião para fotografias usadas na elaboração de mapas. Prefeituras já mostraram interesse no serviço. Outra ideia é divulgar mais a empresa com os próprios pernambucanos, já que o casal percebeu que muitos habitantes sonham conhecer sua cidade em voos panorâmicos.