Depois de meses como vilão do bolso do consumidor, o tomate ficou mais barato e puxou a queda dos preços da cesta básica no Brasil. O pacote de produtos essenciais ficou mais barato em 13 das 17 capitais pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) nesta quarta-feira (5).
O alimento, cujo preço depende das condições climáticas, aliviou o bolso em 15 localidades, com destaque para o Rio de Janeiro (-48,13%), Curitiba (-37,03%) e Porto Alegre (-36,40%). As únicas capitais que tiveram alta foram Florianópolis (2,50%) e João Pessoa (2,48%).
Já o conjunto de produtos teve recuos mais expressivos no Rio de Janeiro (-7,88%), Porto Alegre (-6,18%) e Goiânia (-5,26%).
Em contrapartida, João Pessoa (1,02%), Belém (0,61%), Vitória (0,50%) e Florianópolis (0,31%) tiveram os maiores aumentos.
O maior valor foi apurado em São Paulo, com a cesta a R$ 299,26. Em seguida aparecem Vitória (R$ 295,31) e Porto Alegre (R$ 286,83).
Os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 205,63), Salvador (R$ 220,49) e João Pessoa (R$ 235,35).
Parceiros do bolso
O feijão também teve grande participação na hora de reduzir a conta no supermercado, já que o preço do alimento recuou em 12 capitais, com quedas mais expressivas em Manaus (-7,86%), Belém (-6,82%) e Fortaleza (-5,88%).
A carne bovina, por outro lado, ficou mais barata em apenas nove capitais, sendo que a maior redução foi no Rio de Janeiro (-3,78%).
Porém, esse é o item com maior peso na cesta básica, o que faz com que as quedas influenciem o barateamento do conjunto de produtos essenciais.
Na contramão das quedas, o arroz ficou mais caro em 15 das 17 capitais pesquisadas. Apenas Goiânia e Florianópolis não sofreram com o aumento dos preços.
A farinha também teve alta em 15 localidades em novembro, sendo que os maiores reajustes foram em Aracaju (37,38%), Belém (27,58%) e Fortaleza (20,14%).
Salário mínimo
Em novembro, o brasileiro que ganha o salário mínimo (R$ 622) precisou de 92 horas e 37 minuto — quase quatro dias — para comprar a cesta básica do mês. O preço do pacote de alimentos e produtos básicos corresponde a 45,76% do salário líquido (descontada a Previdência) do trabalhador que ganha o mínimo.
Em novembro de 2011, a cesta consumia 96 horas e 13 minutos de trabalho.
Para estimar o valor ideal do salário mínimo, capaz de atender às necessidades básicas do trabalhador, os técnicos do Dieese levam em consideração o maior custo para o conjunto de itens básicos — que em novembro ocorreu em São Paulo (R$ 299,26).
O Dieese considera também a premissa básica da Constituição de que o menor salário pago deve suprir as despesas de um trabalhador e a respectiva família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência.
Para atender a essas necessidades, em novembro, o salário mínimo deveria ser de R$ 2.514,09, o que corresponde a 4,04 vezes o mínimo em vigor (R$ 622).
No mês anterior, o mínimo necessário era semelhante e chegava a R$ 2.617,33, (4,21 vezes o valor vigente), e em novembro de 2011, o piso nacional deveria atingir R$ 2.349,26, ou 4,31 vezes o mínimo da época (R$ 545).
Confira os preços da cesta básica nas capitais:
João Pessoa R$ 235,35
Belém R$ 270,22
Vitória R$ 295,31
Florianópolis R$ 283,68
Aracaju R$ 205,63
Natal R$ 246,43
Recife R$ 248,05
Salvador R$ 220,49
Brasília R$ 266,85
Belo Horizonte R$ 282,82
São Paulo R$ 299,26
Fortaleza R$ 244,55
Curitiba R$ 270,84
Manaus R$ 284,85
Goiânia R$ 237,92
Porto Alegre R$ 286,83
Rio de Janeiro R$ 272,10