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publicado em 09/08/2010 às 11h45: atualizado em: 09/08/2010 às 14h30

União do BB e Bradesco com banco português vai
ajudar negócios de empresas brasileiras na África

Bancos visam construtoras e exportadores; cliente terá benefício indireto

Marcel Gugoni, do R7

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A união do Banco do Brasil e do Bradesco com o banco português BES (Banco Espírito Santo) para atuar na África tem como maior objetivo incentivar os negócios das três maiores construtoras e incorporadoras brasileiras. A parceria entre os três bancos foi anunciada nesta segunda-feira (9), pelos principais executivos das instituições e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A negociação não será voltada a pessoas físicas, mas a empresas. Além de Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Correa, ainda devem receber apoio companhias de outros setores, como a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e o frigorífico Marfrig, segundo o vice-presidente de negócios internacionais do Banco do Brasil, Allan Toledo. A ideia é levar o modelo de bancarização brasileiro ao continente.

- Nós estamos apoiando as empresas brasileiras que vão atuar lá. Essa parceria vai afetar mais a empresa brasileira do que os consumidores, porque elas vão poder contar com o apoio de dois dos maiores bancos do país no continente africano.

O Banco do Brasil é a maior instituição financeira pública do país, e o Bradesco é o segundo maior banco privado. Os ativos das duas instituições estão em torno de R$ 707 milhões e R$ 471 milhões, respectivamente. O BES é o segundo maior banco privado português, com ativos de mais de R$ 177 bilhões (US$ 100 bilhões).

Toledo diz que o cliente comum vai ser afetado indiretamente. Ele cita que as pequenas exportadoras podem ganhar incentivos e maior acesso ao mercado africano, o que “aumenta negócios” e “gera empregos”.

- Nosso foco são as pessoas jurídicas. A questão é que, quando aumentamos a base de empresas, aumentamos o acesso das pessoas físicas, porque essas companhias têm um grande número de empregados.

União internacional

Aldemir Bendine, presidente do BB, afirma que as duas instituições brasileiras devem negociar a partir de hoje as formas de atuação na África. Os debates devem se estender de 60 até 90 dias, quando detalhes da parceria poderão ser divulgados.

- Essa parceria vem dentro de um processo de internacionalização dos bancos brasileiros, dada a robustez que essas instituições têm conseguido nos últimos anos. A participação societária, valores e forma de atuação passam a ser discutidos a partir de hoje. O que temos hoje são estudos.

Para o presidente do BES, Ricardo Salgado, ainda há que ser definida uma forma de dividir os negócios no BES África, instituição através da qual o banco português já atua no continente. Os brasileiros entrarão com investimentos e podem ter direito a uma parcela no braço africano do banco português.

- É muito cedo para falar em resultados. Neste momento, temos 100% do BES África, mas vamos abrir o capital para o BB e para o Bradesco, dois bancos que saíram reforçados da crise e viraram referência mundial do setor.

Na opinião de Luiz Carlos Trabuco Cappi, do Bradesco, a parceria vai uniformizar as instituições na África. O principal foco são países onde o setor ainda está em desenvolvimento e que necessitam de empresas estrangeiras para investir capital em infraestrutura.

Ele ressaltou que os negócios na África não devem causar muito efeito em sua atuação no Brasil.

- Os bancos africanos já existem. Nós entramos para turbinar os bancos locais, permitindo que essas instituições consigam sócios. Mas não vemos grandes impactos sobre os nossos negócios aqui.

O memorando (documento que sela a participação dos três bancos), assinado nesta manhã, visa à criação de uma holding, que é uma nova empresa para controlar as três instituições.

Hoje, o BES tem agências funcionando em Angola, Cabo Verde e países do norte da África. Há possibilidade de expandir os negócios para Argélia, Marrocos e Moçambique. O BB, por sua vez, tem um escritório em Angola.

 


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