26 de Maio de 2012
Oito dos 17 países do bloco deverão registrar encolhimento das riquezas este ano

A zona do euro voltará a entrar em recessão, que é caracterizada por dois trimestres consecutivos de queda do PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de todas as riquezas), em 2012 e oito de seus 17 países vão registrar crescimentos negativos no ano, incluindo Espanha e Itália, com prognósticos piores que os previstos anteriormente, anunciou nesta quinta-feira (23) a Comissão Europeia.
O PIB da zona do euro cairá 0,3% em 2012, segundo novas projeções. A previsão anterior, divulgada na primavera, estimava um crescimento de 0,5%. A última recessão da União Monetária aconteceu em 2009, quando registrou um recuo de 4,3%.
Nove países entrarão em recessão na União Europeia, integrada por 27 países. A revisão para baixo dos dados foi motivada pela crise da dívida que fragilizou os mercados financeiros e provocou uma depressão da economia real, segundo a Comissão.
O Executivo europeu destaca que a recessão será "moderada" e afirma que há sinais de melhora nas economias da zona do euro no segundo semestre do ano.
De acordo com a CE (Comissão Europeia), a recessão na Grécia será maior que a prevista anteriormente, com uma queda de 4,4% do PIB, contra um recuo de 2,8% na estimativa inicial.
Assim, 2012, será o quinto ano de recessão consecutivo na Grécia. A zona do euro desbloqueou nesta semana um plano de resgate com o valor total de 237 bilhões de euros (R$ 538 bilhões). No ano passado, o PIB da Grécia caiu 6,8%.
Na Itália, a contração será de 1,3% - contra queda de 0,1% nas riquezas na previsão inicial.
Os novos dados sobre as previsões de crescimento se devem "à crise da dívida que fragilizou os mercados financeiros e provocou uma depressão da economia real", golpeando duramente a confiança e o desemprego, disse a CE.
Contudo, o executivo europeu disse que a recessão será "moderada" e afirmou que há sinais de melhora nas economias da zona do euro no segundo semestre do ano.
O vice-presidente da Comissão e responsável por Assuntos Econômicos e Monetários, Olli Rehn, afirmou que "ainda que o crescimento tenha sido estagnado, observamos sinais de estabilização da economia europeia".
- Além disso, apesar de o clima econômico ser negativo, há menos tensão nos mercados financeiros.
A Espanha, quarta economia da Eurozona, sofrerá uma contração de 1%, disse a Comissão, que em suas projeções anteriores previa um crescimento de 0,7%. As previsões da CE são ainda melhores que as do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco da Espanha.
A revisão dos prognósticos econômicos reavivam o debate sobre se o remédio para reduzir e cumprir as metas de saldo negativo para este ano (a austeridade), deveria ser flexibilizado. E nos últimos dias cresceram os rumores de que Madri prevê pedir que um aumento da meta de déficit para este ano, de mais de 5% do PIB no lugar de 4,4% acordado.
Rehn disse que espera "que o governo espanhol nos brinde com mais informações para podermos definir se flexibilizaremos essa meta".
Após assumir o poder, o presidente do governo, Mariano Rajoy, disse o saldo negativo orçamentário da Espanha para 2011 ficará acima de 8% do PIB, muito superior aos 6% prometidos pelo governo anterior.
Para poder atingir a meta de déficit, o governo de Rajoy anunciou cortes orçamentários de 8,9 bilhões de euros (R$ 20,2 bilhões), alta de impostos de 6,3 bilhões de euros (R$ 14,3 bilhões) e um plano contra a fraude fiscal através do qual o país calcula recuperar 8,2 bilhões de euros (R$ 18,6 bilhões).
Portugal também finalizará o ano com uma queda de 3,3% nas riquezas de sua economia. A Irlanda é o único país dos PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) que escapará a recessão.
O crescimento de 2012 será levemente inferior também nas chamadas economias motoras da Eurozona, Alemanha e França. Alemanha crescerá 0,6% em 2012 e França 0,4%, contra estimativas anteriores de 0,8% e 0,6% respectivamente.
Sony Kapoor, analista do centro de reflexão econômica Re-Define, afirmou que "isso mostra mais uma vez que a Europa precisa mudar sua estratégia e se concentrar em impulsionar o crescimento e não a consolidação fiscal".
- Como tem demonstrado Grécia, Portugal e Espanha, isso levará apenas a um maior endividamento e recessão.
Kapoor pediu que, na próxima reunião dos dirigentes europeus, no dia 1º de março, sejam ratificadas as medidas para impulsionar o crescimento.
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