27 de Maio de 2012
Kallil Assis Tavares, de 21 anos, passou na primeira chamada no curso de geografia
Primeiro candidato com síndrome de Down aprovado no vestibular da UFG (Universidade Federal de Goiás), o estudante Kallil Assis Tavares, de 21 anos, pegou a família de surpresa quando saiu o resultado do processo seletivo. Para a mãe do vestibulando, a pedagoga Eunice Tavares, a dedicação com os estudos foi um dos fatores que fez a diferença.
- Ele sempre foi um aluno muito disciplinado, mas as notas dele não eram as melhores. Tanto que a sua colocação no vestibular foi a última. Ele tirava o suficiente para passar.
Eunice conta que a aprovação de Kallil no vestibular foi um processo natural. Ele frequentou um colégio regular durante o ensino médio e assistia às aulas todos os dias de manhã e três vezes por semana também durante o período da tarde. Nos outros dias da semana, ele fazia apenas as lições de casa.
- Ele decidiu sozinho que iria prestar o vestibular e escolheu o curso. A gente não planejou, não forçou nada. Então ficamos muito felizes, surpresos e até assustados. A gente não pensou que ele seria aprovado. É difícil passar em uma universidade federal.
O jovem de Jataí, no interior de Goiás, concorreu ao vestibular este ano pela primeira vez. Ele não participou de nenhum programa de cota e foi aprovado na primeira chamada de 2012, para o curso de geografia.
Por ter necessidades educacionais especiais, ele teve o direito de ter a prova lida por um assistente de vestibular e também recebeu um caderno de questões com letras maiores, que facilitam a leitura por quem tem baixa visão.
Kallil também teve uma hora a mais que os outros candidatos para terminar a prova, mas não precisou usar o tempo extra.
Apoio e paciência
Para Eunice, o apoio da família e da escola foram fundamentais na educação do filho. Kallil estudou durante dois anos da educação básica em uma escola para surdos mudos, única do tipo na cidade, que também recebia alunos com outros tipos de deficiência.
- Ele não chegou onde ele está sem apoio. Tem família que pensa que não adianta investir, que é um caso perdido. É limitado? É. É diferente dos outros? É. Mas ele tem a condição dele.
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7