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publicado em 12/11/2009 às 06h02:

Candidato mais votado na eleição para reitor da USP é a favor de vestibular unificado

Universidade deveria participar do Enade, afirma Glaucius Oliva

Amanda Polato, do R7

Glaucius Oliva, candidato mais bem votado na eleição para  novo reitor da USP (Universidade de São Paulo) e diretor do Instituto de Física do campus de São Carlos, diz ser favorável à unificação do vestibular das universidades públicas paulistas - como USP, Unesp e Unicamp. 

Ele concedeu entrevista exclusiva ao R7 em 28 de outubro. Os outros candidatos foram procurados por e-mail pela reportagem, mas não responderam.

O professor, que acompanhava a votação nesta quarta-feira (11) para definir lista dos candidatos que vai ser enviada ao governador José Serra para aprovação, disse estar com o "coração batendo forte".

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

R7 - Como o senhor vê o fato de ter sido o mais votado para a eleição da USP?

Glaucius Oliva - O coração está batendo forte. Eu tenho uma expectativa muito boa, muito grande de ser escolhido pelo governador [José Serra].

R7 – Se for eleito, que mudanças o senhor planeja para o vestibular da USP?

Oliva – O desafio do vestibular é identificar os grandes talentos. Temos que escolher as melhores sementes, que se tornarão as melhores frutas, ou seja, aqueles estudantes que irão aproveitar melhor o ensino universitário.

O vestibular tem escolhido as melhores frutas – os alunos que já estão prontos. Precisamos avaliar as habilidades intelectuais, de crítica, reflexão, motivação, curiosidade, o que o exame de hoje não tem verificado bem.

R7 – Essa é uma linha próxima à da pensada para o Enem. O sr. pretende adotá-lo na USP?

Oliva – O Enem é uma boa idéia, apesar dos inúmeros problemas que vimos este ano. Muitos países adotam sistemas de exames nacionais para selecionar universitários. Mas temos que discutir essas propostas. O reitor não pode ser um imperador. Nós temos, hoje, olhando só para as universidades paulistas, uma questão a analisar: as listas de aprovados em cursos na USP, Unifesp e Unesp, por exemplo, são idênticas.

Com uma seleção unificada, pouparíamos os estudantes e iríamos otimizar os recursos. O vestibular seria muito melhor se fosse feito de forma contínua, com mais provas, mais vezes ao ano, sem o estresse de ter de decidir tudo em apenas um dia.

R7 – O sr. é a favor de a USP ser avaliada pelo Enade?

Oliva – Sim. As universidades brasileiras precisam de mais qualidade e uma das maiores do país não pode se furtar de ser um paradigma de excelência, uma referência.

Defendo que a USP participe do Enade e ajude a resolver problemas como a não-obrigatoriedade do exame. Sem isso, o aluno não comparece à prova ou faz de qualquer jeito, o que não irá refletir a verdade sobre a qualidade do curso.

R7 – Que mudanças o sr. pretende implementar nos cursos de graduação?

Oliva – Temos um desafio: tornar os quase 240 cursos de graduação na lista dos melhores do país e equiparáveis aos melhores do mundo.

Precisamos alinhar os cursos com os de melhor qualidade. Tenho a proposta de criar comissões na coordenação de cada curso para que conheçam as instalações, propostas pedagógicas e integração com o mercado de trabalho de três a cinco dos melhores cursos do mundo.

A multidisciplinaridade – integração de diversos conhecimentos – é algo que precisa ser pensado. O mundo precisa disso, de pessoas que sejam capazes de resolver problemas usando vários conhecimentos.

R7 - O sr. é a favor de cursos de graduação a distância?

Oliva – Devemos incorporar novas tecnologias de informação e comunicação ao processo de ensino e aprendizagem.

Não sabemos como serão os cursos de graduação no futuro, mas é importante oferecer essas tecnologias. Mais importante que o professor na sala de aula é [ter] o aluno motivado, alinhado com as demandas do futuro.

R7 – Como o sr. avalia a Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo)?

Oliva - A Univesp veio muito depois das propostas da USP na área de ensino a distância. Temos uma comissão sobre isso desde 2003.

Quando surge a Univesp, vêm recursos adicionais, parecerias importantes como a com a TV cultura. Mas, independente da Univesp, mesmo sem ter o convênio, vamos ter um curso de graduação [a distância] experimental.

Para isso, propomos a contratação de oito professores exclusivamente dedicados a estudar esse tema.

R7 – Como o sr. pretende reduzir a burocracia na USP?

Oliva – Vamos fazer uma informatização radical. A circulação de papéis é absurda na USP, uma quantidade extraordinária. Para abrir uma licitação no campus de São Carlos, por exemplo, o pedido precisa viajar em uma pasta amarela até São Paulo e ser analisado fisicamente.

Com um sistema computacional, seria possível fazer tudo isso online. Vamos informatizar tudo, reduzir os processos, cortar etapas. Outra vantagem disso é que haverá a descentralização de informações, o que irá aumentar a produtividade.

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