Integrantes da Comissão de Educação do Senado irão enviar ofício ao MEC (Ministério da Educação) pedindo explicações sobre questões da prova do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) que causaram polêmica por enaltecer o presidente Lula e criticar a atuação da imprensa.
A presidente da Comissão de Educação, senadora Marisa Serrano (PSDB-PR), afirmou que o ministério terá um mês para responder ao ofício.
Se a resposta não for satisfatória, a comissão encaminhará uma nota de repúdio contra o ministério à CCJ do Senado (Comissão de Constituição e Justiça).
O senador Flávio Arns (PSDB-PR), que também é da comissão, quer também que o ministro Fernando Haddad seja chamado para uma audiência pública, para dar esclarecimentos.
Arns defendeu a anulação das questões com conotação política. Ele disse que a escolha do conteúdo da prova foi um "crime contra a educação" e afirmou que o Enade desmoraliza a educação brasileira.
Questão
No domingo (8), o
R7 noticiou que uma pergunta do exame, cobrada de alunos de comunicação social, falava na expressão "marolinha" usada por Lula para tratar da crise econômica no Brasil.
A questão, de número 19, pedia que o estudante avaliasse a cobertura da imprensa no caso. Entre as alternativas, era possível escolher se a atuação da mídia foi preconceituosa, irresponsável, manipulação política, prejulgamento ou livre exercício da crítica.
Havia, ainda, um erro na questão: o nome de Lula foi grafado equivocadamente como "Luís".
Enem
A dúvida levantada por Arns é com relação aos outros exames aplicados pelo MEC.
- Fico imaginando o que vai acontecer no Enem (Exame Nacional de Ensino Médio). Enaltecer o governo a um ano da eleição. A questão induz a pessoa a enaltecer o governo, o presidente. Eu diria que isso é um crime que se comete contra o processo de Educação no Brasil e um desrespeito às instituições e aos alunos.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) acrescentou que a questão que pede ao aluno para julgar se a imprensa foi preconceituosa ao criticar Lula não tem caráter educativo.
- É um absurdo a partidarização de um exame como esse, isso é publicidade subliminar. O exame foi deseducador. Trata a crise brasileira como se fosse apenas um aspecto econômico.
Outro lado
No domingo (8), o ministério havia dito que a questão 19 não fez juízo de valor, já que a resposta correta era o "livre exercício da crítica".
A assessoria de imprensa do ministério disse não haver problemas com as questões e que nenhuma seria anulada, também no domingo (8).