27 de Maio de 2012
Para diretora da organizadora do processo, é mais provável que falha seja da estudante
Com o cartão de inscrição nas mãos que apontava o Prédio Biênio da Poli, na cidade universitária da USP (Universidade de São Paulo), como local de prova, Jessica Ximenes, candidata de arquitetura no vestibular da Fuvest, chegou com dez minutos de antecedência para o exame.
Porém, por um erro na organização do vestibular, seu nome não estava na lista em frente ao portão de entrada e a candidata foi eliminada do processo seletivo. A fiscal ainda ajudou a garota a tentar encontrar seu nome e número de inscrição no prédio da frente, mas só às 13h01 ela constatou que Jessica faria a prova em um local distante dali.
Um acompanhante de outro vestibulando se ofereceu para levar a garota ao local correto, fora da universidade, mas já eram 13h07 e os portões estavam fechados.
Carlos Alberto Victorino Junior, 16 anos, também ficou do lado de fora. Ele ia prestar o vestibular da Fuvest como treineiro, mas disse que as placas de sinalização da cidade universitária o atrapalharam.
- Moro no município de Embu e saí de casa às 10h, com três horas de antecedência. Cheguei aqui [na USP São Paulo] às 12h, como pedia o manual do candidato. As placas diziam para ir para um lado, quando deveria ir para o outro.
O estudante conta que pegou um ônibus circular que “deu um monte de voltas” e só encontrou o prédio correto às 13h50, quase uma hora após o início do exame. Júnior, que pediu o domingo de folga no trabalho de conferente de estoque há seis meses para fazer o processo seletivo, agora espera do lado de fora do prédio para tentar pegar o caderno de questões “já que pagou R$ 100 pela prova”. Se o exame valesse uma vaga na USP, diz ele, "entraria na Justiça contra a Fuvest".
Erro é do aluno
Segundo Maria Thereza Fraga Rocco, diretora executiva da Fuvest, "é mais fácil que o erro no local de prova seja do aluno, e não da organização do vestibular”.
- A comissão confere tudo - cadernos de prova, cartões de inscrição, um por um. Não vi o cartão da estudante [Jessica Ximenes], mas acho difícil o erro ser da Fuvest.Se a candidata puder comprovar que o erro foi da comissão organizadora do vestibular por seu nome não constar na lista e ter comparecido ao local indicado por seu cartão de inscrição, pode entrar com uma ação judicial contra a Fuvest.
MariaThereza afirma que o exame ocorre tranquilamente e sem ocorrências até às 15h da tarde deste domingo, com exceção dos dois casos ouvidos pelo R7.
A seleção do processo seletivo já começa aí, diz Maria Thereza. Para ela, “quem se atrasa em uma prova importante como esta e não confere o local de prova com antecência, já está atrasado para a vida”.
Documento
Paula Julius, 18 anos, candidata de relações públicas, saiu de casa cedo. Ela conta que o sábado (27) foi dia de relaxar, e que deixou para pensar no vestibular apenas durante a visita ao local da prova. No entanto, quando já estava dentro do prédio para fazer o exame, ela percebeu que tinha esquecido o documento de identidade.
A solução foi ligar para a mãe, que saiu do bairro da Consolação, no centro de São Paulo, e pediu para o taxista “voar” para atravessar a cidade e não deixar a filha perder a prova.
Prova
Para ser aprovado para a segunda fase do vestibular da USP o candidato deve ter estudado muito, "no mínimo seis a sete horas por dia", diz Maria Thereza, da Fuvest. Segundo a diretora, "essa não é uma prova de chutes, e muito menos de sorte".
- O vestibular da Fuvest tem fama de difícil por causa da concorrência. São muitos inscritos para poucas vagas, o que faz a nota de corte ser, geralmente, muito alta.
O resultado da primeira fase com as notas individuais sai no dia 20 de dezembro, junto aos nomes dos aprovados para segunda etapa.
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