A alta na inadimplência dos alunos obrigou as escolas particulares a aumentarem o reajuste das mensalidades, de 7% para quase 10% em todo o país, segundo José Augusto de Matos Lourenço, vice-presidente da Fenep (Federação Nacional das Escolas Particulares). O valor é maior que a inflação acumulada no ano medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), atualmente em 4,09%. O
R7 fez um levantamento em cinco capitais mais o Distrito Federal e constatou que o maior reajuste será no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.
- As escolas têm de buscar no mercado financeiro o dinheiro que deveria ter sido pago pelos alunos nas mensalidades. Isso pesa bastante na hora de definir o reajuste, uma vez que ele é medido com base na inflação do período e nas despesas das escolas [aluguel, luz e folha de pagamento].
O Estado com maior alta na inadimplência foi São Paulo, que registrou um aumento de 16% na cidade de São José dos Campos, devido às demissões da Embraer em fevereiro. Na época, cerca de 4.200 funcionários foram dispensados. A falta de pagamento das mensalidades é o primeiro sinal visto com a queda na renda dos pais, segundo Lourenço.
- Os pais suspendem na hora o pagamento, pois sabem que os alunos podem continuar estudando normalmente. No ano passado, a inadimplência foi de 7,1%, o que significa que neste ano ela praticamente dobrou em algumas regiões devido à crise.
Levantamento feito pelo
R7 aponta que no Rio de Janeiro o reajuste das mensalidades ficou entre 5% a 8%, seguido de Belo Horizonte (7% a 8%), Salvador (6,5%), Brasília (6,2%) e São Paulo (6%). Procurado pela reportagem, o sindicato da capital do Paraná, em Curitiba, informou que não é possível definir o reajuste.
O Distrito Federal foi a única região a registrar queda no valor do reajuste: 6,5% neste ano contra 10% (em 2008) e 8% (em 2007). Na região, o sindicato informou que a redução foi motivada pela queda na taxa básica de juros, a Selic.
O Fenep encaminhou neste ano ao Congresso Nacional uma proposta de mudança da lei que permite que os alunos das escolas particulares continuem os estudos, mesmo com a mensalidade em atraso. O projeto ainda está em análise e, se for aprovado, irá permitir que a matrícula do estudante seja trancada, a exemplo do que ocorre nas universidades privadas.
Pela lei, as escolas particulares são obrigadas a comunicar os pais sobre o reajuste 45 dias antes do início do ano letivo. Por conta das festas, a previsão é que o novo valor das mensalidades seja divulgado na segunda quinzena de dezembro.