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publicado em 15/04/2011 às 05h53:

Intercâmbio no ensino médio ajuda
jovem a amadurecer e aprender idiomas

Acostumados a estudar na véspera, alunos voltam com novos hábitos, diz especialista

Camila de Oliveira, do R7

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Gabriele Sampaio tem só 14 anos e já se preocupa com a universidade. A garota, aluna do primeiro ano do ensino médio, não pensa apenas nas fórmulas e matérias que precisa aprender para o vestibular – Gabriele quer é saber como ingressar no curso de direito da Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos.

Para isso, ela começou a se preparar para um programa de High School, para estudar parte do colegial nos Estados Unidos ou na Inglaterra.

Se conseguir boas notas e sair com o inglês afiado, a garota espera ter mais chances de concorrer à vaga dos seus sonhos em Nova York.

Além de ter uma nova experiência em sala de aula, contato com uma cultura diferente e de sair de casa ainda jovem, o adolescente que opta pelo curso de High School volta mais responsável e com o idioma estrangeiro fluente (principalmente inglês e espanhol), afirma Perpétua Devite, da BIL Intercâmbios. Outra característica é sair disciplinado dos estudos.

- Aqui [no Brasil], a lição de casa é cobrada, mas existe tolerância com quem deixa de fazer o dever. Lá fora [estudando em outro país], não. Eles são mais rigorosos e a lição de casa faz parte da nota do boletim. Aqui os alunos são acostumados a estudar apenas para a prova. Lá, eles voltam com o hábito de estudar sempre.

Medos

Sobram dúvidas entre os estudantes. Gabriele, por exemplo, tem receio de ficar em uma casa de família no intercâmbio e não se adaptar.

- Tenho medo de ter que ficar com quem não gosto e também não quero morar em uma cidade pequena. Moro em Atibaia, onde não há quase nada para fazer. Quero uma cidade grande, agitada.

Claudia Malandrino, coordenadora educacional da agência de intercâmbios CI, ressalta os benefícios de ter uma "família postiça". Além de conhecer pessoas novas e treinar de forma mais intensa o idioma, o estudante costuma se sentir acolhido, o que traz mais segurança tanto para o jovem quanto para a família no Brasil.

- Geralmente os estudantes têm medo de não gostar da família [postiça]. Mais há um tempo de adaptação e, em alguns casos, é possível trocar de casa, caso o jovem não se adapte.

Antes de tudo, diz Cláudia, o estudante precisa saber que não está indo para uma viagem de férias e, sim, de estudos. Ele terá deveres e responsabilidades não só com a "família postiça", mas também com seu desempenho escolar.

Experiência dos pais

Para os pais dos estudantes intercambistas, o tempo longe dos filhos também é uma experiência nova. Muitas vezes, é a primeira vez que o estudante deixa a sua casa e fica fora por tanto tempo. Cristiane Sampaio, 40 anos, mãe de Gabriele, já pensa nisso.

- Vai ser uma experiência boa para as duas, porque como somos só eu e ela, vou ficar sozinha também aqui. Teremos que aprender as duas durante esse período.

O que é High School?
É um programa de estudos durante o ensino médio em escolas públicas ou privadas no exterior. Pode durar de seis meses a um ano.

Quem pode participar?
Estudantes entre 15 e 18 anos matriculados em uma das séries do ensino médio (do 1º ao 3º ano) que tenham boas notas no colégio e conhecimento intermediário do idioma do país de destino. Repetentes e alunos com nota vermelha costumam ser rejeitados pelas instituições.

Como funciona?
Há dois programas: em escola pública ou particular. Os alunos que vão para estudar em escola pública não escolhem a instituição onde irão estudar, “são escolhidos” por seus históricos escolares. A cidade também é surpresa e costuma ser em municípios pequenos e /ou zonas rurais.
Já os candidatos a uma vaga em escola particular escolhem tanto a cidade quanto a instituição desejada. Em ambos os casos, a escola daqui deve fazer o contato com o colégio do país de destino.

Como são as famílias hospedeiras?
As famílias são rigorosamente selecionadas pelas agências e recebem os alunos intercambistas como um dos filhos. Em alguns países, os "pais postiços" são voluntários e abertos para a troca cultural.

Qual é a grade curricular?
Para validar o tempo de estudo fora do Brasil, os alunos estudam no mínimo cinco disciplinas obrigatórias no exterior, de acordo com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases): inglês ou o idioma do país onde vai estudar, estudos sociais (história e geografia), matemática, biologia e educação física.

Quanto custa?
O valor depende do destino e do tempo de intercâmbio. Estudar nos Estados Unidos é muito mais caro do que estudar em uma escola do Canadá ou da Irlanda, por exemplo. Os custos variam, em média, deR$ 15.000 a R$ 25.000 para um e dois semestres, respectivamente.
Tudo está incluído nesse valor – escola, acomodação, seguro saúde, coordenação pedagógica e todos os trâmites necessários para a viagem. Em algumas agências, o valor das passagens é cobrado separadamente.

O que é preciso para viajar?
- Visto;
- Documentação (Documento de identidade, CPF e histórico escolar);
- Exames médicos;
- Vacinas;
- Carta para a nova família.

 

Veja dicas para aproveitar o intercâmbio

Quanto mais atividades extraclasses participar, mais rápido se aprende o idioma. Teatro, esportes coletivos, aulas de dança e grupos de voluntariado são algumas das opções para treinar a nova língua

Escolas públicas no exterior são diferentes das nacionais. Elas são melhores do que os nossos colégios municipais e estaduais. Porém, a qualidade do ensino médio particular brasileiro, em geral, é melhor do que nos EUA, um dos mais procurados pelos alunos

Para estudar em escolas e universidades públicas, o aluno é escolhido pelas instituições de acordo com seu histórico escolar. Ele escolhe só o país. A cidade, no caso do ensino médio, pode ser pequena, longe das metrópoles e situada em áreas rurais

Há sempre um responsável pelo acompanhamento pedagógico no país de destino, no caso de intercâmbio no ensino médio ou no fundamental. Qualquer problema, basta entrar em contato

No caso de universidades, os estudantes podem optar por alojamento próximo à instituição ou por alugar apartamento com os amigos. Os que optam por acomodação em casa de família, no caso de ensino médio, precisam comprovar os motivos para uma eventual dificuldade de adaptação. Não gostar dos irmãos ou ter hora para comer e dormir não são motivos aceitos com facilidade para uma possível troca de casa

É preciso começar a se programar com no mínimo três meses antes de embarcar. Depois disso, é difícil encontrar vaga nas escolas e universidades, e ter tempo hábil para preparar os documentos necessários

Algumas agências que organizam o programa de High School para diversos destinos: BIL Intercâmbios, CI (Central de Intercâmbio), STB, ABIC Cursos no Exterior e EF Intercâmbios


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