Julia Chequer/R7Luiza, 7, segue regras criadas pela mãe, como não estudar com a TV ligada
27 de Maio de 2012
O principal dilema é dar liberdade ou controlar os estudos das crianças, dizem elas
A menina, que está no terceiro ano do ensino fundamental (o antigo primeiro grau) da escola Estilo de Aprender, em São Paulo, só faz os deveres sentada na mesa de casa, sem qualquer outra distração, como TV ou aparelho de som ligados.
E a família tem um acordo: Luiza deve fazer a lição sozinha. Caso tenha alguma dificuldade, pede ajuda aos pais.
Luciana também se preocupa em oferecer material extra para complementar o que a filha está aprendendo:
- Só interferimos quando ela realmente tem alguma dúvida. Mas sempre falamos para tentar duas vezes antes de pedir ajuda. De qualquer maneira, ela nunca entrega a lição sem a gente ler e conferir antes.
Na última lição de casa, Luiza deveria escrever palavras com as expressões "CH" e "X". Para ajudá-la, Luciana e o marido lançaram mão de um dicionário ilustrado:
- Eu e meu marido costumamos levá-la a museus, mostramos livros que tenham a ver com o conteúdo ensinado na escola e entramos juntos na internet para pesquisar mais detalhes de determinado assunto. Também contamos nossas experiências pessoais.
Bons resultados
Definir uma rotina de estudo para as crianças pode levar tempo, mas costuma dar bons resultados. A jornalista Flávia Furlan sentiu na pele a falta de organização com sua filha Ana Luiza, de 8 anos.
A garota passou "raspando" para o quarto ano do fundamental no colégio Campos Salles Chácara, na Freguesia do Ó, também em São Paulo:- No ano passado, eu deixei a Ana Luiza muito solta. Ela fazia a lição quando bem entendia e ainda me enganava, dizendo que não tinha tarefa.
Ana Luiza saía-se bem nas provas, mas como muitas vezes não levava as lições de casa e não fazia os trabalhos propostos pela professora, acabou tendo problemas na média final.
Para evitar novos problemas, a mãe procurou a nova professora da garota e pediu algumas dicas do que poderia fazer para ajudar.
- Foi a melhor coisa que eu fiz. Hoje, ela [Ana Luiza] faz as lições à noite, quando estou em casa. Por outro lado, deixo que ela decida se vai fazer depois do banho ou antes do jantar. Confiro o que ela fez. Acho que está funcionando. A Ana Luiza ficou mais responsável.
A partir de agora, a garota só pode estudar na escrivaninha do seu quarto e não em frente à TV, como fazia antigamente. E Flávia sempre deixa um copo de água e bolachas para evitar que a filha levante toda hora com a desculpa de que está com fome.
Controlar ou liberar?
Já na casa da administradora de empresas, Marta Siniscalchi, a situação é um pouco diferente. Ela garante que até o ano passado controlava mais a vida escolar do filho Luca, 10, que cursa o sexto ano no colégio Brasil Canadá, em Perdizes (zona oeste de SP).
Mas, pelo fato de o jovem ser bom aluno e bastante responsável com suas obrigações, decidiu deixá-lo mais independente:
- O Luca não tem hora nem local próprio para fazer a lição. Às vezes brigo para que faça na mesa, mas ele acaba preenchendo as tarefas onde se sente mais confortável.
A mãe diz não se preocupar muito com isso, pois o garoto sempre faz os deveres e nunca deu trabalho na escola:
- Quando ele tem alguma dúvida, me pergunta, mas não fico ao lado dele o tempo todo. Acho que, assim, a criança adquire mais responsabilidade.
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