Marina Silva, candidata do PV à presidência: decorar e somar as letras para montar palavras
27 de Maio de 2012
Candidata à presidência da República foi alfabetizada aos 16 anos
- Quando entrei na sala de aula, a professora estava ensinando os fonemas. E eu fiz um cálculo matemático na minha cabeça. Vi que ela formou a palavra banana e tive um “insight” [esclarecimento]. Pensei: é assim, aprende as letras e soma o som delas. Fui para casa aprender o som das letras para somar esses sons.
Ela critica a falta de presença do poder público no Acre. Diz que teve sorte, mas que a maioria das pessoas de sua região não teve acesso à educação. Por falta de escolas nos seringais, quem mora nas comunidades corre o risco de passar a vida toda sem aprender a ler e escrever.
O aprendizado só ocorreu porque Marina queria ser freira. Ela conta que sua avó dizia “não existir freira analfabeta”. Durante o tempo em Rio Branco, a candidata morou com um tio na periferia da cidade. Os estudos progrediram com a ajuda de um primo.
- Meu primo fez o alfabeto no papel e eu fiquei decorando. E comecei a somar. Com 15 dias eu já sabia ler e escrever. Como também já sabia somar, a professora falou “você pode ir para a outra turma”, que equivalia às quatro primeiras séries do primário.
Militância
Marina começou a ter aulas com esse grupo em 15 de setembro de 1975. Em outubro, passou a outra turma, de educação integrada.
- Esse curso terminava em dezembro, com um “provão”. Eram 46 [alunos fazendo o teste] e passaram três. Eu estava entre os três, com média de cinco e meio.
Nessa época, com 17 anos, ela foi aprovada para estudar no instituto Imaculada Conceição, um colégio público mantido por freiras católicas. Lá, Marina começava a quinta série do ginásio.
- Tive que “ralar” bastante para provar à madre [superiora] que eu podia ficar na quinta série, com aquele meu primário feito em menos de três meses.
Marina fez supletivo da sexta série em diante. Concluiu o segundo grau aos 22 anos e entrou como 18ª colocada no curso de história da Universidade Federal do Acre. Desistiu do celibato, se envolveu com política e tornou-se companheira de luta de Chico Mendes. Ajudou a criar as bases do sindicalismo no Acre, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores no Estado e continuou estudando.
Depois dos diplomas, especializou-se como psicopedagoga pela Universidade Católica e em teoria psicanalítica na UnB (Universidade de Brasília). Nesta quinta-feira (10) tornou-se oficialmente a primeira candidata à presidência da República nas eleições de outubro.
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