Divulgação UnilaO reitor, Hélgio Trindade, quer triplicar o número de alunos no próximo ano
Nesta quinta-feira (2) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura oficialmente a Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana). As aulas
começaram no dia 16 de agosto e cerca de 300 vagas serão preenchidas até o final deste ano. O reitor, Hélgio Trindade, disse ao
R7 que pretende oferecer o triplo de vagas no início do ano letivo de 2011.
A Unila faz parte do programa de expansão das universidades federais, em prática desde 2003. A instituição está funcionando temporariamente no parque tecnológico da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu. A construção do campus está em processo de licitação e deve começar no ano que vem. O projeto é de Oscar Niemeyer e o terreno utilizado foi doado pela empresa de energia.
Na
época da criação oficial da universidade, em janeiro, a promessa era que eram esperados mil alunos e seriam oferecidos 17 cursos no primeiro semestre. Os estudantes seriam 50% brasileiros, selecionados pelo Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) e 50% estrangeiros. No entanto, a instituição começou as atividades oferecendo apenas 300 vagas, seguindo a divisão de nacionalidade. A expectativa é de que a Unila atenda a cerca de 10 mil alunos até 2015.
O reitor explicou com exclusividade ao
R7 que a turma aberta neste ano foi um teste e que em 2011 pretende triplicar o número de vagas abertas. Trindade também disse que pretende expandir a oferta para mais países no ano que vem.
Veja abaixo os principais trechos da entrevista
R7 - No projeto inicial, a intenção era de que fossem oferecidas mil vagas no primeiro semestre, seriam também 17 cursos. Por que a mudança?
Trindade - Nós poderíamos começar nossas aulas em março de 2011, porque é o período em que se fazem seleções normais tanto no Brasil quanto em outros países da América Latina. Mas nós achamos que seria importante ter uma primeira turma, eu diria experimental, de menor porte para que a gente pudesse oferecer um número menor de cursos, mas cobrindo todas as áreas de conhecimento que a universidade vai abordar.
A partir do próximo ano, nós queremos ampliar essa oferta, certamente será um número que vai no mínimo triplicar o atual. Estamos estudando também a criação de 13 cursos, mas dependemos de infra-estrutura. Está prevista uma expansão no parque para acolher essa demanda.
R7 - A universidade tem atualmente alunos de quatro países, três deles estrangeiros. Como foi e como será o processo seletivo fora do Brasil?
Trindade - Como se trata de países com um sistema de ensino muito organizado nós fizemos parcerias com os ministérios de educação desses países. Discutimos com eles os níveis aceitáveis do desempenho no ensino médio. Então os alunos tinham que ter uma determinada média mínima sem a qual eles não poderiam ser selecionados e, dependendo da área que fossem escolher, tinham também que ter um desempenho diferenciado nessas áreas. Foi feito inclusive uma convocação pública, universitários desistiram de seus cursos para ingressar na Unila.
Nesses países não há nenhuma prova de entrada na universidade, então não podíamos impor algo do tipo. Para os próximos anos, já nos inscrevemos no Sisu, mas ainda não decidimos se vamos usar [o sistema] para 2011, mas para os outros, com certeza. Para o exterior estamos analisando se vamos aplicar uma prova nos moldes do Enem. Estamos inclusive estudando o modelo aplicado no Chile, se ele puder ser universalizado é provável que nós usemos.
R7 - No dia de sua posse, Paulo Speller, reitor da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira), disse querer que diplomas da universidade sejam válidos no Brasil e no exterior. A Unila tem o mesmo objetivo?
Trindade - O diploma que será oferecido pela Unila será o mesmo para brasileiros e estrangeiros. Hoje, na maioria das universidades latino-americanos, o diploma é diferenciado entre nativos e estrangeiros, na nossa universidade não será assim. Outra possibilidade é o reconhecimento do certificado em outros países. Aí tem um trabalho que vem sendo feito no Mercosul e fora dele. É um processo que está se desenvolvendo já com grandes avanços. Uma outra alternativa, mais difícil, é fazer um convênio com as universidades de outros países e um processo de dupla titulação. Assim, o diploma seria válido nos dois países.
R7 - Atualmente a universidade tem estudantes da Argentina, do Paraguai e do Uruguai. A instituição tem intenção de oferecer vagas para universitários de outros países?
Trindade - Sim, queremos expandir para o resto da América do Sul, América Central e o Caribe. Com o Chile as negociações já estão avançadas, provavelmente vamos fazer oferta lá. As conversas com El Salvador já estão adiantadas também. E temos um projeto de criar cursos específicos depois que o nosso centro de línguas estiver desenvolvido, para oferecer cursos para alunos do Haiti, que, por causa do terremoto, não tem mais acesso a uma das universidades, que foi destruída. Mas para ofertarmos precisamos negociar com os países e isso leva tempo, mas é um processo já em andamento.