27 de Maio de 2012

Diferença sócio-econômica separa as cidades satélites do centro da capital
O que melhor explica a disparidade no ranking são as condições sócio-econômicas dos alunos das cidades satélites, segundo a especialista em políticas públicas para educação Ivanna Torres.
- A escola não é desligada da sociedade. Ela sofre influências vindas da realidade dos alunos. O ensino público trabalha com alunos que lidam com dificuldades tais como violência, má alimentação e assistência médica insuficiente.
O diretor Clayton Braga, do colégio CCI Sênior em Samambaia (cidade satélite distante 35 km do Plano Piloto), não pensa diferente. Sua escola é a penúltima colocada entre as privadas no DF.
- É impossível comparar resultados educacionais entre comunidades que tenham grandes distâncias sociais, culturais e econômicas. Um aluno do Plano Piloto já teve oportunidade de viajar o país todo, tem pais com nível superior, tem acesso a todos os tipos de informação. Muito mais do que um aluno de Samambaia.
No outro extremo do ranking, os diretores do Olimpo - melhor classificado no Enem - Marcelo Moraes e Rodrigo Bernadelli, comparam os alunos do Plano Piloto com os de Belo Horizonte, Goiânia e Rio de Janeiro e concluem: os brasilienses têm mais bagagem cultural.
- O nosso aluno aqui é mais viajado. Ele entende mais de arte, de cultura. Ele é mais preparado, tem maior acesso a cultura e ao conhecimento. E isso é fundamental para a aprendizagem.
Falta de interesse
O diretor Braga, do CCI Sênior em Samambaia, afirma que há falta de interesse dos alunos de Samambaia em ingressar no ensino superior. Segundo ele, a maioria dos jovens quer mesmo trabalhar e ajudar nas despesas domésticas. Nenhum de seus alunos, por exemplo, se inscreveu para o vestibular da UnB, realizado neste fim de semana.
Comente: O que você achou do desempenho da sua escola no Enem 2009?
Para a especialista Ivanna Torres, falta incentivo aos estudantes.
- A expectativa de se ingressar no ensino superior é muito maior nas classes altas. Devemos criar políticas que incentivem as classes populares a terem expectativa de entrar no ensino superior publico.
Ivanna acrescenta que, mesmo quem quer entrar na universidade, o Enem não desperta interesse.
- A UnB (Universidade de Brasília) [única universidade federal no DF] não adota o Enem como critério de entrada, de acesso. Por isso, aqui o Enem ainda não tem uma significação muito grande. Ainda não existe motivação para os alunos tratarem o Enem de uma forma mais engajada.
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