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publicado em 19/07/2010 às 14h10:

Piores escolas de Brasília estão na periferia

Diferença sócio-econômica separa as cidades satélites do centro da capital

Priscilla Mendes, do R7 em Brasília

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As notas mais baixas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) no Distrito Federal estão concentradas na periferia de Brasília, as cidades satélites. Das 20 escolas piores classificadas, apenas uma está localizada no Plano Piloto – área nobre e valorizada que abriga o centro político e econômico da capital –. Além disso, todas são estaduais.

O que melhor explica a disparidade no ranking são as condições sócio-econômicas dos alunos das cidades satélites, segundo a especialista em políticas públicas para educação Ivanna Torres.

- A escola não é desligada da sociedade. Ela sofre influências vindas da realidade dos alunos. O ensino público trabalha com alunos que lidam com dificuldades tais como violência, má alimentação e assistência médica insuficiente.

Veja aqui o ranking do Enem

O diretor Clayton Braga, do colégio CCI Sênior em Samambaia (cidade satélite distante 35 km do Plano Piloto), não pensa diferente. Sua escola é a penúltima colocada entre as privadas no DF.

- É impossível comparar resultados educacionais entre comunidades que tenham grandes distâncias sociais, culturais e econômicas. Um aluno do Plano Piloto já teve oportunidade de viajar o país todo, tem pais com nível superior, tem acesso a todos os tipos de informação. Muito mais do que um aluno de Samambaia.

No outro extremo do ranking, os diretores do Olimpo - melhor classificado no Enem - Marcelo Moraes e Rodrigo Bernadelli, comparam os alunos do Plano Piloto com os de Belo Horizonte, Goiânia e Rio de Janeiro e concluem: os brasilienses têm mais bagagem cultural.

- O nosso aluno aqui é mais viajado. Ele entende mais de arte, de cultura. Ele é mais preparado, tem maior acesso a cultura e ao conhecimento. E isso é fundamental para a aprendizagem.

Falta de interesse

O diretor Braga, do CCI Sênior em Samambaia, afirma que há falta de interesse dos alunos de Samambaia em ingressar no ensino superior. Segundo ele, a maioria dos jovens quer mesmo trabalhar e ajudar nas despesas domésticas. Nenhum de seus alunos, por exemplo, se inscreveu para o vestibular da UnB, realizado neste fim de semana.

Comente: O que você achou do desempenho da sua escola no Enem 2009?

Para a especialista Ivanna Torres, falta incentivo aos estudantes.

- A expectativa de se ingressar no ensino superior é muito maior nas classes altas. Devemos criar políticas que incentivem as classes populares a terem expectativa de entrar no ensino superior publico.

Ivanna acrescenta que, mesmo quem quer entrar na universidade, o Enem não desperta interesse.

- A UnB (Universidade de Brasília) [única universidade federal no DF] não adota o Enem como critério de entrada, de acesso. Por isso, aqui o Enem ainda não tem uma significação muito grande. Ainda não existe motivação para os alunos tratarem o Enem de uma forma mais engajada.

 
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