27 de Maio de 2012
Pesquisa do Ipea aponta que país forma profissionais, mas poucos atuam no mercado
De cada 3,5 engenheiros formados no Brasil, apenas um está formalmente empregado na área. Isso mostra que o país tem um número suficiente de engenheiros para dar conta dos novos postos que devem surgir com o crescimento econômico. No entanto, é necessário que a proporção de profissionais dedicados às áreas específicas da engenharia aumente para acompanhar os cenários mais otimistas no território nacional.
Segundo o Ipea, isso poderia resultar em um “apagão de mão de obra qualificada”, caso a economia cresça ou por conta de mudanças tecnológicas, principalmente em alguns setores, como o do pré-sal.
A demanda tem superado o aumento de oferta de mão de obra no mercado, de acordo com o Ipea. O ponto que mais preocupa o órgão de pesquisa é a baixa proporção de formados que estão formalmente empregados no setor.
Crescimento do PIB
Para realizar o estudo, o Ipea identificou o requerimento técnico por engenheiro – quantidade de profissionais com essa competência requerida tecnicamente para atender a um determinado nível de produção – para formação do PIB (Produto Interno Bruto). Além disso, projetou a quantidade de engenheiros potencialmente necessários a cada ano, entre 2009 e 2022.
Em 2008, o estoque de graduados em engenharia foi de cerca de 750 mil, enquanto o requerimento técnico por esses empregados foi de 211.713 profissionais. No ano anterior, o total de graduados foi de 188.654 e o número de 2006 ficou em 174.183.
Três cenários distintos foram analisados em relação ao crescimento anual do PIB: 3%, 5% e 7%. Baseadas nos números de pessoas que concluíram os cursos das engenharias, na produção e na construção no Brasil, além da projeção dos formandos, o Ipea estima que em 2015 haverá 1,099 milhão de engenheiros disponíveis no mercado.
O estudo constata também que, à primeira vista, a disponibilidade de engenheiros seria suficiente para enfrentar a demanda, desde que o crescimento do PIB se mantenha em 3% ao ano e a proporção entre formados, na comparação com os formalmente empregados, caia para três por um – no quadro atual, a cada 3,5 engenheiros formados apenas um está empregado formalmente.
Oferta e demanda do mercado
Nesse novo quadro (patamar de três por um), a demanda estaria em 1,001 milhão de profissionais em 2015. Número abaixo dos 1,099 milhão de engenheiros que deverão atuar no mercado, segundo o Ipea.
Caso o crescimento do PIB fique a 5% ao ano, serão necessários 1,155 milhões de profissionais – número ligeiramente maior do que o previsto. E, com crescimento de 7% ao ano, serão necessários 1,462 milhão de engenheiros.
Já a projeção para 2022 aponta que haverá 1,565 milhões de engenheiros trabalhando na área – número suficiente para dar conta da demanda, caso o PIB cresça de 3% a 5% ao ano. Mas, para isso, será necessário que a proporção de profissionais dedicados à profissão aumente - de cada dois formados, um deverá estar no mercado.
Caso se mantenha o quadro atual – de 3,5 para um –, a demanda será de 1,861 milhão de engenheiros, com o PIB de 3% ao ano; e de 2,48 milhões de engenheiros para o caso de se registrar crescimento em 5% ao ano do PIB.
Em 2022, a demanda e a oferta de profissionais ficarão bem próximas diante da relação três por um. Nesse caso, serão necessários 1,595 milhão de engenheiros para um mercado que deverá ser de 1,565 engenheiros, com o PIB a 3% ao ano. Caso cresça 5%, serão necessários 2,125 milhões de engenheiros; e 3,405 milhões, com o PIB em 7%.
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