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27 de Maio de 2012

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publicado em 20/01/2012 às 10h27:

Prestes a deixar o Ministério da Educação,
Haddad ainda está envolvido em polêmicas

Após erro em correção, Justiça determinou que candidatos do Enem tenham acesso à prova

Do R7

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Às vésperas de deixar o MEC (Ministério da Educação), Fernando Haddad ainda se vê enrolado em meio aos problemas de sua gestão. Desta vez, são as correções do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) que afligem os mais de 4 milhões de estudantes que fizeram a prova e foi colocada em xeque depois de um erro cometido na correção da redação de um aluno. 

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O estudante de São Paulo conseguiu, após entrar com um pedido na Justiça, ter a nota da redação alterada de “anulada” para 800 pontos, em uma escala que vai até mil, o que colocou em dúvida o sistema de correção do exame.

Essa foi a primeira vez que uma nota do Enem foi alterada. Depois disso, estudantes de outros Estados como Rio de Janeiro, Ceará e Minas Gerais também entraram na Justiça para pedir a revisão de suas provas.

O Ministério Público Federal do Ceará decidiu então entrar com um pedido na Justiça para que todos os candidatos do Enem 2011 tivessem acesso às suas provas. No dia 17 de janeiro, o pedido foi aceito pelo juiz Luís Praxedes Vieira da Silva.

O edital do Enem não permite que os candidatos tenham acesso à prova de redação, nem mesmo que peçam a revisão da nota. Para o procurador da República Oscar Costa Filho, autor do requerimento, a extensão das liminares a todos os candidatos é a única via idônea para preservar os direitos violados dos estudantes.

Em resposta à decisão, Haddad afirmou que o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), braço do MEC responsável pela organização do Enem, não tem condições tecnológicas de cumprir a ordem dada pela Justiça Federal do Ceará.

O ministro alegou ainda que a decisão poria em risco a realização do exame prevista para abril deste ano. Segundo Haddad, o ministério precisaria de “fôlego” para atender às exigências.

Apesar de o MEC inicialmente ter confirmado apenas dois casos de notas corrigidas, um ofício do Cespe/Unb (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília), órgão que faz parte do consórcio organizador do exame, mostrou que 129 candidatos tiveram seus resultados alterados. 


Após seis anos e meio à frente do cargo, Haddad está de saída do Ministério para disputar a Prefeitura de São Paulo pelo PT (Partido dos Trabalhadores). Em seu lugar, assumirá o atual ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante. A posse e a transmissão de cargo estão marcadas para terça-feira (24).

Vazamentos

A edição 2011 do Enem foi marcada por mais um episódio de vazamento. Este foi o terceiro ano consecutivo em que o exame apresenta problemas.

No ano passado, 639 alunos do colégio Christus, em Fortaleza, tiveram acesso a 14 questões da prova. Os itens estavam em apostila distribuída pela escola semanas antes da aplicação do Enem e vazaram da fase de pré-testes do exame, realizada na instituição de ensino em outubro de 2010.

A Justiça Federal chegou a conceder liminar anulando as questões em todas as provas, mas o governo federal conseguiu derrubar a decisão, que vale apenas para os alunos do colégio e do cursinho Christus. 

A Polícia Federal indiciou um professor e um funcionário do colégio Christus. Eles respondem pelo crime de estelionato.

O MEC confirma que 14 questões que estavam na apostila foram copiadas de dois dos 32 cadernos de pré-teste do Enem aplicado no ano passado a 91 alunos da escola. 



Ao episódio se somam outras ocorrências graves, como o roubo das provas em 2009, num caso que teria provocado um prejuízo de R$ 46 milhões aos cofres públicos. As questões foram roubadas de uma gráfica e os ladrões tentaram vendê-las para a imprensa antes da realização da prova.

A descoberta da fraude levou ao cancelamento do Enem. A prova foi totalmente refeita e remarcada.

Na ocasião, o então presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, deixou o cargo. A marcação da segunda prova levou os estudantes a protestarem nas ruas contra a confusão - as novas datas coincidiam com alguns vestibulares - e a abstenção chegou a 1,5 milhão de inscritos.

Em 2010, houve erros na impressão das provas, perguntas repetidas e sequências erradas. Foram encontrados também problemas nas folhas de resposta. No mesmo ano, uma professora de Remanso (BA) teve acesso ao tema da redação e avisou o marido, que depois de uma pesquisa na internet teria orientado o filho que iria fazer a prova. Como consequência, o presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto, também deixou o cargo em janeiro de 2011.

Outras polêmicas

Haddad, porém, não é criticado apenas pela instabilidade do Enem. Ele se envolveu recentemente em duas polêmicas. Em maio do ano passado, o Ministério da Educação planejava enviar para 6.000 escolas públicas do país um kit batizado de Escola sem Homofobia, destinado a alunos e professores do ensino médio, nível em que estão estudantes com idades entre 14 e 18 anos.

O material continha vídeos - divulgados na internet - que tratavam de forma explícita de questões como transexualidade, bissexualidade, relações entre gays e lésbicas. 

O material foi duramente criticado no Congresso, no qual passou a ser denominado de kit gay, sob a alegação que estimularia a prática homossexual entre os jovens dentro das escolas.

Diante da polêmica, a presidente Dilma Rousseff suspendeu a produção do material e a distribuição do kit em planejamento pelo Ministério da Educação.

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou que Dilma considerou o material inadequado e os vídeos impróprios para seus objetivos.

Ainda em maio, o ministro se viu mais uma vez no centro da polêmica como alvo por causa de um livro didático distribuído pelo governo em mais de 4.000 escolas com erros intencionais de concordância, para aproximar os alunos da linguagem popular.

Entre os erros gramaticais e incorreções, havia frases como “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”. O ministro defendeu a publicação e reagiu contra seus críticos.


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