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publicado em 23/03/2013 às 00h30:

Professores corrigem 100 redações do Enem por dia a R$ 1,90 cada

Corretora contratada pelo MEC examinou 2.200 textos em 20 dias;
especialista afirma que não há vista que aguente

Do R7*


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Foram 2.200 redações, cerca de 1.900 páginas e 66 mil linhas. Essa foi a quantidade lida em apenas 20 dias por duas professora de São Paulo contratadas pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) para corrigir redações do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2012.
 
Segundo elas — que pediram à reportagem do R7 para não serem identificadas — o valor pago por cada redação foi de apenas R$ 1,90, quantia inferior à remuneração oficial divulgada pelo MEC (Ministério da Educação), que é de R$ 2,35 por texto.

O R7 teve acesso aos e-mails trocados entre as profissionais e a supervisão do Cespe (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos Universidade de Brasília), que media as contratações de corretores para o MEC, que comprovam o valor de R$ 1,90 por texto corrigido. 

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Além da remuneração baixa, a carga de 2.200 redações em apenas 20 dias, uma média de 100 textos diários, é apontada como extenuante por especialistas. Segundo o psicólogo Breno Rosostolato, é impossível manter o mesmo rigor e atenção com uma carga de trabalho tão grande em um pequeno espaço de tempo.

Esse seria um dos motivos pelo qual redações tiraram nota máxima com erros graves de ortografia ou outras com inserções de receita de miojo e o hino do Palmeiras conseguiram cerca de 50% da nota máxima de 1.000 pontos. 
 
— Não há vista que não fique cansada. Deveriam pensar em outra estratégia. Acho que a leitura deva ser muito por cima.

A professora de português do colégio SESI de São Bernardo do Campo, Raquel Patricia Godoy Bember, afirma que é comum na profissão a correção de muitos textos por dia.

— Já corrigi cerca de 96 textos em 6h, isso com muita frequência pode causar falta de atenção sim.  

Outro lado

A reportagem do R7 procurou o Cespe para esclarecer a diferença entre o valor recebido pelas professoras e o divulgado oficialmente. O centro afirmou que o responsável pelos pagamentos é o Inep.

O presidente do instituto, professor Luiz Claudio Costa, confirmou o pagamento de R$ 2,35 por texto corrigido.

— O Inep conta com parceiros na contratação de corretores. Acredito que essa diferença no valor esteja relacionada aos impostos que incidem sobre o serviço, não sei dizer ao certo se é INSS ou outra coisa.

Segundo as professoras entrevistadas pelo R7, os corretores são selecionados pelo Inep por meio de indicação de pedagogos ligados ao ministério. Eles recebem o contato do Cespe e corrigem as redações em uma página privada na Internet. Segundo as corretoras, é comum a página travar durante as correções.

Erros

O Inep afirma que as redações do Enem podem receber nota máxima mesmo com erros de ortografia. O motivo da tolerância, segundo o instituto, é que os erros não seriam relevantes do ponto de vista pedagógico, porque os alunos do Ensino Médio ainda estariam “em processo de letramento e transição para o nível superior”.

Para a mestre em Língua Portuguesa Jussara Hoffmann, erros relacionados à gramática não podem ser aceitos, por não serem critérios relativos, ou seja, que dependem da opinião do corretor.
 
— Existem aspectos subjetivos, que dependem de cada corretor, como a originalidade e clareza do texto. Mas concordância, ortografia e gramática são critérios objetivos e erros graves como os que aconteceram não podem passar despercebidos.

Para a especialista é necessária uma orientação mais clara para os corretores, com treinamento e explicitação dos critérios de análise. Segundo ela, o ideal seria a revisão do texto por no mínimo três examinadores.

Ela acredita que a seleção dos corretores precisa ser mais rigorosa. 

— Ser professor não garante que o profissional tenha domínio absoluto da língua. Defendo uma prova para seleção dos corretores, que hoje é feita por indicação.

Polêmicas desde janeiro

A redação do Enem 2012 é alvo de polêmicas desde o começo do ano. Diversos estudantes pediram revisão da nota. O objetivo era conseguir uma classificação melhor antes do período de inscrições do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) entre os dias 7 e 11 de janeiro, que utiliza o Enem como base para a oferta de vagas em diversas universidades públicas.
 
As notas da prova e das redações já haviam saído em 8 de dezembro, mas muitos não concordaram com a avaliação, o que gerou protestos e abaixo-assinados em 11 cidades brasileiras.

A Justiça Federal em Bagé, no Rio Grande do Sul, chegou a suspender o encerramento do prazo do Sisu. O juiz federal Gustavo Chies Cignachi determinou, na época, que o Inep divulgasse o resultado da prova e o espelho de correção da redação do Enem a uma estudante, permitindo a utilização de recurso contra a nota obtida. O MEC recorreu da decisão e ganhou a causa.

Por fim, em 6 de fevereiro, o ministério divulgou as correções das 4.113.558 redações, das quais 1,82% estavam em branco.


* colaborou a estagiária Jessica Rodrigues.

 

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