ReproduçãoCapa do "Jornal da Tarde" estampa foto de homem que procurou reportagem do R7 para vender caderno de prova do Enem
27 de Maio de 2012
Repórter foi procurado pelo mesmo rapaz que estampa a capa do "Jornal da Tarde"
A reportagem do R7 foi procurada na última quarta (30) pelo mesmo homem que estampa a capa de hoje (3) do Jornal da Tarde, fotografado enquanto negociava a prova do Enem com a equipe do jornal O Estado de São Paulo.
Fábio, nome pelo qual o homem se identificou ao R7, vestia uma jaqueta amarela e aparentava nervosismo quando chegou no ponto de encontro, nos arredores do parque Villa-Lobos, zona oeste de São Paulo.
Fábio chegou cerca de 30 minutos após seu comparsa, trazendo um pacote com o caderno das questões do Enem. Ambos haviam contatado a reportagem no início da tarde e prometiam falar sobre "fraude no Enem".
Questionado, Fábio deu uma hipótese para o vazamento: todos os cadernos vêm com o nome do candidato e número de inscrição impressos, mas os coordenadores dos locais onde as provas seriam distribuídas teriam acesso a cinco modelos do exame em branco, sem nomes, que serviriam de reserva. Isso teria facilitado o vazamento, provavelmente durante a distribuição da prova.
Fábio não parecia se importar com os prejuízos do vazamento: confrontado pelo R7 com argumentos sobre os danos que isso causaria aos estudantes, ele apenas disse que queria dinheiro. Ora cobrava R$ 500 mil pela prova, ora mencionava R$ 1 milhão.
Fábio chegou encapuzado e deu a prova do Enem para o repórter ler, mesmo sem garantia de que haveria negociação. O caderno trazia 90 questões, exatamente como previsto para ser aplicado no domingo do Enem. Foi possível memorizar o tema da redação (Estatuto do Idoso) e o conteúdo de quatro perguntas: uma mencionava o ex-ministro Gilberto Gil; outra trazia o poema "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias; a terceira fazia referência a uma passagem da música "É Proibido Proibir", de Caetano Veloso; e a quarta trazia um trecho do poema "No Meio do Caminho", de Carlos Drummond de Andrade.
Os dois homens falavam num terceiro indivíduo que queria "se vingar" de um parlamentar do Congresso, que havia lhe enviado para trabalhar no Acre. Esse terceiro comparsa seria agente da Polícia Federal e havia sido deslocado para Brasília para trabalhar com um deputado, de quem era próximo. O homem teria sido o responsável por repassar a prova aos dois. O R7 rejeitou a proposta de venda do Enem.
Para a reportagem do Estado de São Paulo, os homens teriam dito que a prova do Enem havia sido vazada de dentro do Inep, órgão do MEC (Ministério da Educação) que realiza o exame.
Investigação
A Polícia Federal vai ouvir na próxima segunda-feira Luciano Rodrigues, dono de uma pizzaria que intermediou a conversa dos dois homens com a imprensa. Junto com o MEC, a polícia começou a traçar um plano para evitar vazamento e novas falhas na distribuição do Enem.
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