27 de Maio de 2012
Para artistas, instituições de ensino deveriam incentivar mais os alunos
Eles só queriam tocar no festival de música, mas acabaram ganhando o país. Essa é a história de dezenas de bandas que, como Titãs, Restart e Fresno, começaram a tocar enquanto ainda estavam na escola.
O Restart começou cedo: o vocalista Pe Lu conheceu Pe Lanza ainda na pré-escola, com apenas quatro anos. A partir daí, ele e os amigos juntaram as aulas de música, que precisavam assistir, com a vontade de tocar em festivais e saraus organizados pela escola, e criaram a banda.
- Tivemos muito incentivo musical no nosso colégio, sempre rolavam eventos culturais e os professores e coordenadores apoiavam que a gente levasse os instrumentos para a escola, isso foi fundamental.
Veja outras bandas que se formaram no colégio
O diretor do Colégio Franciscano João XXIII, em São Paulo, onde os integrantes estudaram, vê a aula de música como caminho para criar um espaço criativo no ambiente escolar.
- Mesmo aquele que não tem muito talento pode ficar empolgado e começar a buscar um estilo próprio para começar a tocar.
Vavo, guitarrista da banda Fresno, que também começou na escola, acha que a música incentiva os jovens.
- Na minha opinião, deveriam ser ensinadas assim como matemática, português ou qualquer outra matéria.
Para Rosa Iavelberg, diretora do Centro Universitário Maria Antonia, em São Paulo, e especialista em ensino de artes, a escola deve garantir o conhecimento cultural e deixar o aluno experimentar formas variadas de arte.
- A música é tão importante quanto as demais linguagens artísticas. A escola tem que garantir o acesso dos alunos ao patrimônio cultural do país.
Contra a escola
Quando a escola não incentiva, é preciso arrumar um jeito para começar. Os integrantes da banda Rebeldes sabem bem disso. Na trama da Record, passada no colégio Elite Way, os estudantes precisaram driblar as regras rígidas da diretora para conseguir se dedicar a sua paixão.
A escola dos Rebeldes é fictícia, mas a banda existe na vida real e arrasa em show por todo o país.
Para o produtor da banda, Rick Bonadio, o incentivo na escola é fundamental para o desenvolvimento da arte. Mas como isso nem sempre acontece, os estudantes precisam fazer sua parte.
- Tem que ser original e acreditar na música. Também tem que se aprofundar nos estudos, compor suas próprias canções e ficar ligado no que está fazendo sucesso no país e no mundo.
Chay Suede, o Tomás de Rebelde, sempre gostou de música e até sonhava com as letras de algumas canções quando cochilava nas aulas. Durante a época da escola ele teve algumas bandas e garante que disciplina é essencial.
- Nem sempre a aula de música ajuda, por isso, separe dois dias da semana e ensaie por pelo menos duas horas. O importante é o grupo ser regrado e comparecer aos ensaios programados.
O Titãs é outra banda que precisou ir contra a escola para conseguir fugir das aulas de música caretas que faziam parte do currículo obrigatório até a década de 1970. Com a ditadura em plena atividade, ficava difícil ter ensaios mais empolgantes que os hinos do país.
Tony Belloto, guitarrista da banda, que nessa época estudava no Colégio Equipe, em São Paulo, era um dos que não gostavam da disciplina.
- Eu achava as aulas de música na escola um saco, totalmente dissociadas dos anseios dos jovens. A inspiração para o rock vinha da rua.

Os Titãs se conheceram no ensino médio, em São Paulo, na década de 1970 Crédito: Divulgação
Lei
Desde janeiro de 2011, segundo uma determinação do CNE (Conselho Nacional de Educação), todas as escolas devem incluir aulas de música em seu currículo.
A lei nº 11.769 foi sancionada em 2008, mas foi só depois de janeiro passado que as escolas precisaram se adaptar ao novo conteúdo, contratando professores especialistas e revendo a grade curricular.
O CNE orienta as escolas a trabalharem com uma equipe multidisciplinar e, nela, ter entre os profissionais o professor de música.
Para Rosa Iavelberg, a música não precisa, necessariamente, ser tratada como uma disciplina. Ela é uma das linguagens da disciplina chamada artes, que pode englobar ainda todas as outras manifestações artísticas, como fotografia, pintura e teatro.
- Não significa que os alunos só terão aulas de música. A disciplina de artes continuará sendo um espaço de ampliar o repertório cultural. É papel da escola incentivar esse tipo de conhecimento.
Segundo a lei, cada escola tem autonomia para decidir como incluir esse conteúdo de acordo com seu projeto político-pedagógico.

Os integrantes do Fresno começaram distribuindo CDs em shows e divulgando na internet Crédito: Divulgação
*Colaborou: Kelly Jamal, do R7
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