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publicado em 08/02/2010 às 06h00:

Tudo o que você queria saber sobre
o trote, mas tinha medo de perguntar

O R7 explica as dez principais dúvidas sobre a tradição universitária de começo de ano

Ingrid Tavares, do R7

As principais universidades do Brasil recebem os calouros para fazer as matrículas nos cursos neste começo de ano. Nesta segunda-feira, USP (Universidade de São Paulo), Unb (Universidade de Brasília) e Unesp (Universidade Estadual Paulista) começam o período para a confirmação das vagas – o da Unicamp acontece a partir desta terça-feira (9).

A apresentação de documentos na instituição também é conhecida como a época das festas de recepção dos calouros – os conhecidos trotes. Para não chegar despreparado nesse primeiro dia, tire suas dúvidas sobre o assunto no guia preparado pelo R7.

1) O que é o trote estudantil?
O trote estudantil é considerado por muitos alunos uma espécie de rito de passagem obrigatório para comemorar a aprovação no vestibular. Com o intuito de integrar os novos alunos na rotina do campus universitário, os veteranos do curso promovem uma série de brincadeiras.

2) Quais são os trotes mais comuns na entrada da faculdade?
As atividades variam entre os cursos, mas elas são divididas por níveis de dificuldades. As mais fáceis são as brincadeiras de identificação do “bixo”, em que os veteranos raspam o cabelo ou pintam corpos e roupas dos calouros com o nome da faculdade e o da carreira.

Apesar de tradicional, o pedágio é considerado um trote intermediário. Os calouros devem pedir dinheiro para pessoas nas ruas e nos semáforos até atingir a quantia estabelecida pelos veteranos. O montante arrecadado, geralmente, é gasto nos bares próximos às faculdades.

Há ainda quem é escolhido para matar insetos a gritos (ou seja, ficar berrando até imobilizar uma pacata formiga que está passeando pelo campus) ou medir a sala de aula com palitos de fósforos. São cansativos e podem incomodar os mais tímidos, mas não geram agressões físicas.

3) Como foi o primeiro trote universitário?
De acordo com o professor Antonio Zuin, autor do livro O trote na universidade: passagens de um rito de iniciação (Editora Cortez), o trote surgiu nas universidades europeias para diferenciar os alunos novatos – considerados menos cultos e que precisavam ser “civilizados” – dos que já estavam se formando. O primeiro registro de violência data do século 15, na Universidade de Heildelber, na Alemanha, onde os calouros foram obrigados a beber taças de vinho com urina e comer alimentos misturados a fezes. Zuin explica ainda que os veteranos também rasparam os pelos do corpo do grupo que havia entrado na instituição.

4) Não quero que cortem meu cabelo nem me sujem de tinta. Como posso escapar do trote?
O diálogo é ainda a melhor saída. Seja por motivos pessoais, profissionais ou religiosos, explique suas razões ao grupo. Na maioria dos casos, há alguém entre os veteranos que respeita as liberdades individuais e impede que você chegue ao trabalho sujo. Em todo caso, converse com os outros calouros para encontrar pessoas que discordem dessas práticas.

5) Quais foram os últimos casos de trotes violentos no país?
Neste ano, já são três o número de casos registrados no país. No Paraná, um estudante de 17 anos, calouro de geografia, foi encontrado desmaiado no campus da UFPR (Universidade Federal do Paraná) após ser obrigado a ingerir grande quantidade de álcool. O calouro de geografia ficou em coma alcoólico por mais de 20 horas.

No interior paulista, veteranos da Unicastelo (Universidade Camilo Castelo Branco) em Fernandópolis, obrigaram um calouro a pedir dinheiro, tomar álcool combustível e fumar. Durante o trote, o estudante de 18 anos ainda perdeu o boné, a carteira e os cadernos, após ficar nu na rua.

Já na capital de São Paulo, o primeiro dia de aula da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) ficou marcado por uma briga entre dois calouros que deixou um deles com o nariz e os dentes quebrados. A vítima, segundo testemunhas, levou chutes na cabeça por ter atirado água nos colegas com uma arma de brinquedo, durante o trote fora da faculdade.
As três faculdades afirmam ter aberto sindicância para descobrir quem foram os responsáveis pelas agressões.

6) A faculdade pode punir o veterano que comete trote violento?
Sim, os alunos que cometem trote violento podem estar sujeitos a penalidades. Essas punições são determinadas por uma comissão, formada pela própria faculdade, que investiga possíveis abusos em uma sindicância interna. Na apuração desses casos, geralmente, são usadas fitas de segurança e entrevistas com alunos e funcionários. A investigação dura, em média, de 30 a 60 dias. Se confirmada a violência, o veterano pode chegar a ser expulso da instituição.

7) Existe alguma lei que proíba o trote no Brasil?
No estado de São Paulo, há uma lei que proíbe a prática do trote violento nas universidades. De acordo com a legislação, o trote não é permitido quando promovido "sob coação, agressão física, moral ou qualquer outra forma de constrangimento que possa acarretar risco à saúde ou à integridade física dos alunos".

A lei ainda obriga a direção das faculdades públicas a adotar medidas preventivas para impedir a prática do trote e a responder por omissão ou condescendência nos casos de abuso. O texto também prevê a aplicação de penalidades aos universitários, incluindo a expulsão da escola.

8) Como posso denunciar casos de violência ocorridos durante a matrícula dos calouros?
Desde quando alguns trotes deixaram de ser ritos de passagem saudáveis e começaram a se tornar violentos, as instituições têm se preocupado em acabar com esse tipo de prática. Além de campanhas de conscientização e incentivo aos chamados trotes cidadãos, muitas faculdades têm implantado centrais de atendimento que recebem denúncias de casos de abuso.

A USP, por exemplo, montou o Disque Trote (0800 012 10 90) para monitorar esses casos. O serviço, que existe desde 2000, tem o objetivo de receber denúncias de trotes abusivos que ocorram nos campi da USP. Neste ano, o canal de atendimento funcionará até o dia 15 de março, data da última lista de chamada, das 9h às 21h.

9) Quais são as principais faculdades que incentivam o trote solidário?
A Faculdade Batista de Vitória, no Espírito Santo, fez uma campanha educativa contra a crise financeira na festa de recepção dos calouros e foi premiada com a melhor atividade voluntária e social do ano passado, pelo projeto Trote da Cidadania. As Faculdades Integradas Maria Imaculada, em Mogi Guaçu (SP), que montou uma gincana de integração, e o trote pelo consumo consciente da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente.

10) Posso sugerir trotes solidários na minha faculdade?
Em conjunto com a direção da faculdade, o DCE (Diretório Central dos Estudantes), geralmente, fica responsável por produzir as festas de recepção dos calouros. Monte um grupo para pensar em atividades que possam substituir o trote violento e apresente no DCE. Outra alternativa é o projeto Trote da Cidadania, que reúne instituições e alunos mobilizados para acabar com a violência dentro das faculdades. No site, é possível conferir as instituições e os projetos participantes, além de se inscrever no programa.

 
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