Neilson Dias/Especial para a Record MinasPoliciais vigiam portão que foi arrombado por atrasados
27 de Maio de 2012
Alunos atrasados arrombaram portão de escola para tentar entrar em Minas
A única cidade do país onde o exame foi cancelado foi em Brejetuba (a 147,71 km da capital Vitória, no ES), onde a prova será no dia 5 e 6 de janeiro. Em virtude das chuvas, os alunos não puderam comparecer às escolas. No município de Ibatiba (a 160 km de Vitória), onde não há realização de provas, os moradores que prestariam o exame também farão a avaliação em um outra data.
O caso mais grave foi em Belo Horizonte (MG), onde cerca de 450 estudantes quebraram uma das portas do Centro Universitário Newton Paiva, na unidade Silva Lobo, após serem impedidos de entrar na instituição para fazer as provas. A polícia informou ainda que as linhas telefônicas da central do 190, chegaram a ficar congestionadas por causa do grande volume de chamadas relacionadas ao Enem.
O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) informou que fora esses dois casos, houveram ocorrências de casos “isolados”. A previsão do instituto (órgão do Ministério da Educação responsável pela prova) era a de que 4,1 milhões de estudantes estavam inscitos para a prova o Enem, que vale como ingresso em dezenas de universidades federais.
Brasília
Os tumultos no Distrito Federal foram isolados e a polícia foi chamada em Taguatinga. Cerca de 50 estudantes que não conseguiram entrar na Fajesu (Faculdade Jesus Maria José), provocaram um tumulto na entrada da instituição e a Polícia Militar foi acionada.
A faculdade chamou a PM por temer reação dos estudantes. Os estudantes queriam falar com alguém da direção da unidade. Darlene Silva era uma das mais indignadas:
- É negligência da faculdade, a gente não estaria reclamando se não tivesse chegado na hora certa. A prova já foi cancelada uma vez, viemos de longe, a gente tem o direito de fazer a prova, é indignante.
No Ceub (Centro Universitário de Brasíília) - um dos dois locais de exame no Plano Piloto –, cerca de 20 estudantes chegaram depois das 13h. Os fiscais ainda permitiram a entrada de alguns que se apresentaram no exato momento de fechamento dos portões. A maioria, porém, ficou mesmo do lado de fora.
Alison Uchoa, 19, chegou atrasado para a prova e não conseguiu entrar. O estudante, que planejava cursar Arquitetura no próximo ano, se sentiu “injustiçado” pela mudança do local da prova.
- Ônibus não passa no final de semana em Brasília. A gente fica uma hora e meia esperando e vê uma oportunidade indo por água abaixo. É mais um ano que você perde na sua vida.
São Paulo
Na capital, houve muita confusão na Uninove da Barra Funda (zona oeste de São Paulo), após o fechamento dos portões. Logo em seguida houve reabertura da entrada por alguns instantes, o que beneficiou alguns alunos. Cerca de 60 deles, que estavam do lado de fora por atraso, conseguiram entrar.
Os portões foram novamente fechados após alguns minutos de reabertura e mais de cem pessoas ficaram do lado de fora. Houve um princípio de tumulto e os alunos que não entraram deram chutes e chacoalharam os portões.
Eles gritaram em coro, pedindo mais tempo para entrar. Cerca de 30 estudantes pararam o trânsito em frente à escola onde era aplicado o Enem, por volta das 14h. A Polícia Militar foi acionada e dispersou o grupo.
Região Metropolitana de SP
Cerca de 200 estudantes de Guarulhos, na Grande São Paulo, não conseguiram entrar na UnG (Universidade Guarulhos) para fazer a prova e procuraram a Polícia Civil para fazer um BO (boletim de ocorrência) contra a instituição. Eles alegaram que chegaram antes do horário do fechamento dos portões.
A estudante Alice Maia dos Santos, de 19 anos, disse que os alunos que chegaram por volta das 12h50 foram orientados a entrar em uma fila enorme, mas os portões fecharam e os funcionários não levaram em conta muitos daqueles que estavam na fila chegaram antes.
- A funcionária disse para a gente que deveríamos ter chegado às 7h como ela e não deu satisfação porque fechou o portão.
ABC paulista
Em São Bernardo do Campo, problemas no trânsito, envolvendo três caminhões, impediram os alunos de chegar nas escolas a tempo de fazer as provas. Os estudantes resolveram se reunir em frente a Universidade Anchieta, no centro da cidade, para protestar, mas foram repreendidos por policiais.
Mário César Mendonça, 21, organizou um abaixo-assinado com mais de 200 adesões para encaminhar ao Inpe. Os estudantes pedem a realização de uma nova prova e se consideram também injustiçados.
- Todos os estudantes que estão aqui tiveram o mesmo problema. Em algumas escolas eles deixaram as pessoas entrarem depois das 13h. Aqui, nós chegamos dois minutos atrasados e não deixaram.
Rio
O tempo também não ajudou os cariocas a chegar no horário necessário para fazer a prova. A estudante Camila Bevilaqua perdeu a prova por se atrasar 30 segundos após o fechamento dos portões na Universidade Estácio de Sá, em Copacabana, na zona sul da cidade.
- Quando eu cheguei, haviam acabado de fechar [os portões]. Meu relógio marcava 13h em ponto. Ainda havia candidatos no elevador, subindo para fazer a prova.
Em Copacabana, Cerca de 20 estudantes se atrasaram para chegar ao local de prova e não conseguiram fazer o Enem. Ângela Maria Souza, uma das estudantes, lamentou o ocorrido.
- Saí de Niterói às 10h, pensando em chegar ao meio-dia [na Universidade Estácio de Sá]. O engarrafamento na zona sul é horrível e me prejudicou. Agora minha oportunidade [de fazer a prova] será só o ano que vem.
Quem não conseguiu fazer a prova
A organização informou que os alunos que perderam a prova neste sábado poderão fazer o exame neste domingo (6), mas que não irá valer para a avaliação. Neste sábado, foram aplicadas as provas de ciências da natureza e ciências humanas. No domingo, os exames serão de matemática e linguagens e redação.O Inep confirmou também que o resultado do exame será em escala de zero a 1.000 e que as e que as questões estarão na ordem das mais fáceis para as mais difíceis.
O portões serão abertos às 12h e fechados às 12h55. A prova começa às 13h e dura até as 17h30. Os candidatos podem entregar o exame duas horas após o seu início, mas só levará a prova para casa quem permanecer na sala por, no mínimo, quatro horas. questões estarão na ordem das mais fáceis para as mais difíceis.
Colaboraram Mylena Fiori, Ingrid Tavares, Camila Ruback e Giselli Souza
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