Getty ImagesAs agressões virtuais, chamadas de cyberbullying, são muito comuns
27 de Maio de 2012
Agressão pela rede virtual já é maior do que a praticada na escola
Uma pesquisa inédita divulgada nesta quarta-feira (14) mostra que, enquanto quase 10% dos jovens dizem terem sofrido maus tratos no ambiente escolar, 17% passaram por isso na internet. No Sudeste, o índice chega a 20%.
Os dados são de uma pesquisa inédita do Ceats (Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor), realizada a pedido da ONG Plan.
No segundo semestre de 2009, o centro ouviu 5.168 estudantes de quinta a oitava série do ensino fundamental. Participaram escolas de todas as regiões do país, tanto particulares como públicas.
Quiz: você sabe dizer se o seu filho é vítima de bullying?
70% dos estudantes já presenciaram violência no colégio
Quem sofre violência na escola ou pela rede acaba perdendo o entusiasmo pelo ensino, a concentração e pode ainda desenvolver problemas mais graves como depressão.
Os agressores que usam a internet têm uma falsa sensação de anonimato e impunidade, conta Cléo Fante, especialista em bullying e consultora da pesquisa.
Consequências
Dados da pesquisa do Ceats indicam que a maioria das vítimas do cyberbullying costuma se calar – é o que Cléo Fante chama de “sofrimento silencioso”. Quase 10% do total de entrevistados responderam que não fizeram nada a respeito.
Patrícia Peck, advogada e especialista em internet, explica que as leis brasileiras são aplicáveis, sim, à internet. E que comete um crime no mundo virtual pode ser punido.
- Crimes contra a honra, ameaças e racismo são os mais comuns cometidos por jovens na rede. Os agressores estão sujeitos a cumprir medidas socioeducacionais (previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente), como fazer trabalho comunitário. Os pais também podem ter que responder a uma ação civil e pagar indenização à vítima.A advogada recomenda que as vítimas do cyberbullying façam uma cópia da página ou do e-mail em que há o insulto e, depois, busquem uma delegacia. A polícia é capaz de rastrear o computador de onde partiu a mensagem. Para dar mais força à prova, os agredidos podem fazer um registro da página no cartório (na linguagem jurídica, é a ata notarial).
Uma vez na internet, é muito difícil que o material desapareça, explica Rodrigo Nejm, diretor da SaferNet Brasil.
- O que parece ser brincadeira se torna uma humilhação pública na internet. Por isso, sempre alertamos: pense muito antes de publicar algo.
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