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publicado em 08/09/2010 às 10h01: atualizado em: 08/09/2010 às 10h26

Um em cada cinco brasileiros com mais
de 15 anos é analfabeto funcional

Número equivale a mais de 29 milhões de pessoas, ou 20,3% nessa faixa etária

Rafael Sampaio, do R7

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Um em cada cinco brasileiros com 15 anos ou mais são analfabetos funcionais, de acordo com dados da Pnad 2009 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados nesta quarta-feira (8). O número corresponde a mais de 29 milhões de pessoas, ou 20,3% da população nesta faixa etária, que é de 143 milhões.

Houve uma ligeira melhora com relação a 2008, quando os analfabetos funcionais eram 21% da população, ou 30 milhões de pessoas. A definição de analfabetismo funcional, segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação), é a de pessoas com menos de quatro anos de estudo completos que conseguem cumprir tarefas simples, como assinar o próprio nome, mas não são capazes de ler e escrever livremente.

A redução no analfabetismo funcional foi maior em um intervalo de cinco anos, entre 2004 e 2009 - a queda foi de quatro pontos percentuais. De todas as regiões do país, o Nordeste é a que possui o maior número de pessoas nessas condições. Quase 31% da população acima de 15 anos não vai além de escrever o próprio nome, segundo a Pnad, que é preparada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Apesar do problema, os Estados do Nordeste são os que mais avançaram no intervalo de cinco anos, com queda de 6,6% na taxa de analfabetismo funcional entre 2004 e 2009.

Sem melhora

A taxa de analfabetismo padrão, de pessoas sem nenhum ano de estudo, continua alta. São 14,1 milhões de analfabetos em 2009, número que quase não reduziu com relação a 2008, quando 14,2 milhões de pessoas estavam nesta situação. A diminuição de 143 mil analfabetos no país equivale à população de uma cidade pequena no Estado de São Paulo, como São Caetano do Sul (região metropolitana). A maioria dos não alfabetizados (13,5 milhões de pessoas) possuem 25 anos ou mais, quase 93% do total.

A pesquisa aponta que o combate ao analfabetismo beneficiou um milhão de pessoas em cinco anos, entre 2004 e 2009. Nesse caso, houve redução de 7% no número de analfabetos em todo o país.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, havia definido como meta o ano de 2020 para que o país acabe com o analfabetismo. Sua previsão é que a taxa chegue a 6,7% até 2015, em uma etapa intermediária.

A maior dificuldade está com a população idosa que vive em cidades pequenas ou na zona rural, afirmou o ministro na época. Outro problema é que muitas pessoas sem alfabetização têm problemas de visão - no programa Brasil Alfabetizado, por exemplo, 75% dos alunos não enxergam direito.

- Você cria a turma, alfabetiza o adulto e depois de um ano ou dois ele regride porque, sem o óculos, ele não vai ler.


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