Arquivo PessoalLuiza Hadba, 3, nunca teve problemas de adaptação na escola até este ano
27 de Maio de 2012
Pais devem ficar com crianças pequenas nos primeiros dias de aula em novo colégio
Em creches e outras escolas de ensino infantil, quando a criança deixa o seu cotidiano individual, a adaptação pode levar semanas. É preciso, nesta época da vida, fazer um trabalho em equipe no colégio para que alunos e pais sintam-se seguros e conheçam o espaço escolar.
As primeiras experiências são sempre as mais difíceis, diz Patrícia Corsino, professora de educação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Os pequenos precisam criar vínculos e ter a certeza de que não vão ser abandonados pela família, um grande temor nessa idade:
- É necessário que os adultos cumpram o papel de mediadores na escola, criando oportunidades para a interação dos novos alunos com os antigos.
Pontos em comum
Cada colégio trabalha a adaptação de uma forma diferente, segundo a sua proposta pedagógica. Mas há alguns pontos em comum.
Nos primeiros dias de aula, por exemplo, é normal a criança passar poucas horas na escola, sempre na companhia de um dos responsáveis.
Com o passar dos dias, a sua permanência aumenta, ao contrário da dos pais, que diminui. O processo segue, gradativamente, até a hora em que o aluno está pronto para ficar sozinho.
Para Marcelo Cunha Bueno, coordenador pedagógico da escola Estilo de Aprender, na zona oeste de São Paulo, é nesse momento que os pais precisam passar o bastão para a escola, “e isso não significa que a criança não irá mais chorar”.- Estar adaptado não é chegar sorrindo na escola, é quando, chorando de saudade da mãe, a criança procura o colo de algum professor ou funcionário do colégio.
Há casos em que a criança tem uma adaptação inicial muito tranquila, mas no ano seguinte, após as férias, apresenta resistência em voltar às aulas.
Foi o que aconteceu com a pequena Luiza Lyra Hadba, de três anos. Na escola desde um ano e meio, ela nunca deu trabalho, mas este ano chorou duas semanas seguidas.
A mãe, a advogada Carolina Lyra, precisou passar de novo pelo período de adaptação com a filha.
- A Luiza estranhou a mudança de professora. Nos primeiros dias, ela não desgrudava do meu pescoço, nem olhava para os lados. Eu tive de ficar junto na sala de aula.
Aos poucos, Luiza foi se soltando, segundo a mãe:
- Na segunda semana a professora foi firme e me fez esperar do lado de fora. Depois disso, tudo voltou ao normal.
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