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publicado em 23/09/2010, às 06h00:
Ronaldo Esper quer votos das “senhorinhas” e diz que visual dos políticos é “um horror”
Candidato à Câmara diz que pretende colocar moda brasileira no “centro do mundo”

Na TV, estilista faz piada da prisão por furto de vasos em cemitério e diz que vai dar agulhadas nos políticos
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Marina Novaes, do R7
Famoso por dar “alfinetadas” na TV em celebridades mal vestidas, o estilista Ronaldo Esper, 65, disputa neste ano uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PTC e já chamou a atenção ao afirmar, em seu programa eleitoral, que voltará suas agulhas para outras “vítimas”: os políticos em Brasília.Embora faça piada sobre as agulhadas e até a respeito do episódio dos vasos – ele foi preso em 2007 por furtar vasos em um cemitério de São Paulo –, Esper não gosta de ser comparado com os demais “puxadores de votos” e disse que aceita ser sabatinado para apresentar suas propostas.
- Eu entendo que a situação é a de puxar votos. Mas quero deixar claro que sou contra o puxador de votos só para atrair o eleitor. Acho que só deveria haver puxadores de voto caso eles provassem que têm ideias.
Em entrevista ao R7, o estilista disse que espera conquistar os votos das “senhorinhas que são donas de casa”, e admitiu que espera conquistar também os eleitores do ex-deputado federal Clodovil Hernandes (morto em 2009), antigo desafeto do candidato.
Leia abaixo os principais trechos da conversa:
R7: Porque o senhor decidiu entrar na política?
Ronaldo Esper: Minha família sempre esteve envolvida com política e, há uns anos, me ‘aflorou’ essa vontade de ser candidato [risos]. Aí aconteceu de o Clodovil ter ganhado [em 2006] e surgiu o convite [do PTB, hoje Esper disputa a Câmara pelo PTC]. Eu entendo que a situação é a de puxar votos. Mas quero deixar claro que sou contra o puxador de votos só para atrair o eleitor. Acho que só deveria haver puxadores de voto caso eles provassem que têm ideias. Porque você não pode botar fruta, palhaço e crocodilo, porque não dá, né gente?
R7: E quais devem ser suas bandeiras na Câmara, caso seja eleito?
Esper: Eu tenho vários projetos, não só relacionados à moda, mas também. [...] Um dos projetos é em relação ao tempo de mandato. Política não é profissão, não é carreira. Então minha proposta é que a pessoa possa ser eleita só duas vezes em cada cargo. [...] Também tenho vários projetos para o universo feminino, e um dos projetos é recolher o fundo de garantia de empregadas domésticas. [...] Outra coisa que eu tenho obrigação de fazer é colocar a moda brasileira no centro do mundo. Porque erra quem pensa que moda é frescura. Quem diz isso é bobo. Ela gera milhões, e milhões e milhões de dólares, e o Brasil tem talentos incríveis que estão indo embora.
R7: Em seu programa eleitoral, o senhor diz que vai dar “agulhadas” nos políticos em Brasília. Em que sentido?
Esper: Eu vou provocar muito, acho que Brasília é um negócio sério. Mas olha, é uma postura como eu estou te falando, eu nunca ofendi ninguém.
R7: E quem deve votar no senhor?
Esper: Quem vai votar em mim é uma faixa do eleitorado que os políticos olham com muito deboche, que são as donas de casa. Quero que essas senhorinhas todas votem em mim, porque aprendi com elas, minha avó me criou, então vi que a mulher é uma grande administradora. Essas são minhas eleitoras e são essas que eu quero. E acho que vou ter votos de muitos gays, porque sou homossexual e tenho muitos projetos nessa área.
R7: O senhor se preparou de alguma forma para o cargo?
Esper: Não. Eu não tive preparo nenhum. Meu preparo são 45 anos de alta-costura, que foi quando eu consegui conhecer a fundo a alma do ser humano. Eu muitas vezes me envergonhava pelos preços que eu cobrava por um vestido, sabendo da situação do país.
R7: O senhor criticou os “palhaços” que concorrem nestas eleições. Incomoda ser incluído no grupo de “famosos” na política?
Esper: Já fui jogado nesse balaio, mas não estou nesse balaio de gato. E quero deixar bem claro que quando falo em palhaço não estou me referindo ao Tiririca [humorista que também disputa as eleições], nele também, mas não só. [...] Eu fiz filosofia na USP [Universidade de São Paulo], não terminei o curso porque era época de ditadura, [...] depois trabalhei como jornalista. [...] Eu tenho as minhas ideias e até me sujeito a ser sabatinado, apesar de ser candidato a deputado.
R7: Mas não teme que o eleitor não o leve a sério quando o senhor faz piadas com a história dos vasos, por exemplo?
Esper: Mas por que ser tão sisudo na vida? A vida já é tão ruim. Acho que isso ajuda a aproximar, porque dá um ar mais íntimo. Desconfie das pessoas que não sabem rir de si.
R7: O senhor espera receber os votos dos eleitores do Clodovil?
Esper: Quero sim os votos dos eleitores, mas eu não uso essa bandeira, você jamais vai me ver usar essa bandeira. Eu acho que o Clodovil não deixou um legado político talvez porque não teve tempo [ele morreu três anos após ser eleito]. Mas olha, não sei se ele tinha um ‘timing’ político, porque ele não era tolerante, ele não tolerava nem a própria sombra, né? E eu acho que sou muito tolerante.
R7: Se for eleito, vai continuar seu trabalho como estilista?
Esper: Moda eu vou continuar. Eu só vou parar quando fizer 50 anos de carreira [ele tem 45 anos de carreira] e a televisão eu volto também porque é uma paixão. E também para falar da política, porque as pessoas andam muito mal vestidas em Brasília, aquilo ali é um horror.
