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Terça-feira, 18 de outubro de 2011

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publicado em 31/10/2010, às 05h39:

Segundo turno entre Dilma e Serra foi marcado por polêmicas e acusações

Temas como aborto, privatizações e escândalos tomaram o espaço das propostas

Do R7

A campanha eleitoral deste ano chega ao fim neste domingo (31), e a disputa pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ficar marcada como uma das mais agressivas da história. Se, no primeiro turno, o debate de propostas já havia sido sobreposto por discussões eleitorais, no segundo turno os ânimos ficaram mais acirrados. As polêmicas, mais uma vez, prosperaram.



Homem-bomba do PSDB

No dia 10, durante o primeiro debate do segundo turno, Serra foi surpreendido por uma afirmação de Dilma sobre o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. Na ocasião, a candidata do PT questionou o rival sobre um “assessor que teria fugido” com R$ 4 milhões, dinheiro que seria destinado à campanha do tucano.

Dilma se baseou em uma reportagem publicada pela revista Isto É, em agosto, segundo a qual dirigentes do próprio PSDB acusavam Paulo Preto de sumir com o dinheiro que havia sido arrecadado para a campanha de Serra sem o conhecimento do partido.

No dia seguinte, quando esteve em Goiás, o tucano foi questionado por um jornalista pela primeira vez sobre o assunto e negou qualquer relação com o engenheiro, que foi diretor da estatal paulista Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) durante sua gestão como governador de São Paulo, entre 2007 e abril deste ano. Ele se referiu ao caso como um “factoide”.

Na terça-feira (12), porém, o jornal Folha de S.Paulo publicou uma entrevista com o próprio Paulo Preto, que desmentiu o presidenciável tucano. Disse que Serra o conhece muito bem e cobrou um pronunciamento dele.

Com isso, o candidato do PSDB passou a admitir que o conhecia e chegou inclusive a fazer elogios a ele, mas negou qualquer acusação de desvio de recursos envolvendo a sua campanha. Sobre o apelido Paulo Preto, afirmou que seria uma forma “preconceituosa e racista” de se referir ao profissional.

Dilma levou o tema para seus programas eleitorais de rádio e televisão e para os debates. Sempre que indagado, Serra reiterava a versão de que não soube de qualquer desvio - e que, caso tenha havido alguma irregularidade, ele seria vítima.

A candidata do PT também lembrou que Paulo Vieira de Souza foi citado na operação Castelo de Areia da Polícia Federal, que investigou suspeitas de fraudes em licitações e pagamento de propina em obras realizadas em São Paulo.

Privatizações

As privatizações feitas durante o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso entraram na pauta e alimentaram as discussões entre Dilma e Serra nos últimos dias da campanha. O tema foi levado ao centro do debate também por Dilma, que recordou as vendas de estatais ocorridas no governo FHC e insinuou que, se eleito, Serra poderia enfraquecer a Petrobras e entregar a grupos privados estrangeiros os direitos de exploração do petróleo da camada do pré-sal.

O candidato do PSDB partiu para o contra-ataque afirmando que, durante o governo Lula, 108 empresas privadas foram beneficiadas nos leilões de exploração de petróleo. A campanha petista respondeu alegando que este modelo foi herdado da gestão de FHC e ressaltando que os leilões foram suspensos após a descoberta do pré-sal.

Dilma também recuperou o episódio da fracassada tentativa de trocar o nome da Petrobras para Petrobrax, ocorrida no fim de 2000. A intenção do governo tucano era tornar a imagem da empresa mais conhecida no mercado internacional.

Dossiês

A polêmica em torno dos dossiês que teriam sido montados por um grupo de inteligência ligado à campanha petista, que teve início em junho, voltou a ganhar destaque no segundo turno a partir dos depoimentos dados pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. à Polícia Federal.

Amaury foi apontado como o responsável por encomendar os dados fiscais de tucanos que foram obtidos irregularmente em agências da Receita Federal na Grande São Paulo e acabou indiciado pela PF. Foram quebrados os sigilos, entre outras pessoas, do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, da filha de José Serra, Verônica Serra, e do marido dela, o empresário Alexandre Bourgeois.

Em depoimento à PF, Amaury disse que decidiu investigar os tucanos, em 2008, após saber que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também era alvo de uma investigação clandestina. Na época, Aécio disputava com Serra a indicação do partido para concorrer à Presidência da República.

O jornalista foi indicado por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e oferecer dinheiro ou vantagem a testemunha. Os petistas negam qualquer vínculo com a produção de dossiês contra tucanos.

Boataria eleitoral

A primeira polêmica que marcou a reta final da disputa pelo Palácio do Planalto surgiu, na verdade, ainda nos últimos dias do primeiro turno. Os boatos de que a candidata do PT, Dilma Rousseff, seria favorável ao aborto foram difundidos por meio da internet e alimentados em cerimônias religiosas por todo o país.

O tema custou à ex-ministra alguns dos votos que seriam necessários para garantir a ela uma vitória já no dia 3 de outubro e motivou uma reação de sua parte para tranquilizar os religiosos e reafirmar que, se eleita, não incentivará nenhuma mudança na atual legislação sobre o aborto.

Na primeira semana do segundo turno, a campanha de Dilma montou uma agenda compatível com esta estratégia. Dilma foi a igrejas, a uma maternidade em São Paulo e acompanhou a celebração do dia de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, na basílica de Aparecida, interior paulista.

A petista atribuiu as polêmicas a uma central de boatos e vinculou sua origem à campanha do tucano José Serra, seu adversário. Dilma lamentou que estivesse em curso o que chamou de uma tentativa de alimentar a divisão religiosa no Brasil.

No dia 15, ela divulgou uma carta na qual reafirmou posições sobre o aborto e a liberdade religiosa e reiterou que sua medida tinha como objetivo combater a “central de boatos” que assolava o país.

Um dia depois, porém, militantes petistas encontraram em uma gráfica de São Paulo cerca de um milhão de panfletos encomendados por um bispo da Igreja Católica. No texto, assinado por três outros bispos da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), pedia aos eleitores católicos que não votassem em candidatos ou partidos que fossem favoráveis à descriminalização do aborto.

Bolinha de papel

No dia 20, um tumulto marcou uma caminhada de Serra em Campo Grande, bairro do Rio de Janeiro. Enquanto militantes petistas e tucanos se confrontavam, o candidato do PSDB foi atingido na cabeça por um objeto e seguiu para um hospital. O médico que o examinou recomendou a ele repousar por 24h, o que levou à suspensão do restante de seus compromissos daquele dia.

Posteriormente, uma emissora de televisão mostrou um vídeo no qual foi possível ver que Serra foi atingido na verdade por uma bolinha de papel. A campanha tucana, no entanto, rebateu a versão e disse que dois objetos foram atirados, e que um deles era mais pesado que uma bolinha de papel e atingiu o tucano.

Metrô

Na última semana da campanha, uma nova denúncia atingiu o governo de São Paulo, deixado por Serra em abril. Desta vez, o jornal Folha de S.Paulo revelou que os resultados de uma licitação para a construção de lotes da linha lilás do metrô, que passa pela zona sul da capital paulista, vazaram seis meses antes do anúncio oficial.

O resultado da concorrência foi anunciado no dia 21, mas a Folha informou, na terça-feira (26), que já havia registrado os nomes dos ganhadores em vídeo e em cartório ainda no mês de abril. Após a denúncia, o atual governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), ordenou a paralisação do processo de licitação.

Ao ser questionado sobre o assunto, Serra, que era o governador na época em que a obra foi licitada, defendeu a investigação de um possível acordo entre as construtoras.

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